Em uma encosta íngreme em Ontário, no Canadá, uma casa convida a uma experiência que transcende o simples habitar. Ali, mover-se entre os cômodos não é um ato corriqueiro, mas uma jornada. A proposta do estúdio de arquitetura UUfie, de Toronto, ao renovar um chalé dos anos 70, foi organizar o espaço “quase como uma trilha”, onde os ambientes se desdobram em transições graduais, com vistas e pausas que mimetizam uma caminhada pela natureza.
Batizada de Belfountain House, a residência de 430 metros quadrados foi concebida para se sentir menos como um objeto pousado no terreno e mais como algo moldado por ele. Em vez de lutar contra a topografia acidentada, os arquitetos a abraçaram. Um único e longo telhado acompanha a inclinação do solo, unificando a porção norte preservada da estrutura original com a metade sul, que agora cascateia pela colina em patamares abertos, segundo reportagem da publicação de design e arquitetura Dezeen.
O elemento mais emblemático dessa topografia interna é uma grande rede suspensa. Ela divide o espaço de jantar de uma área de recreação abaixo, funcionando simultaneamente como barreira de segurança e como uma espécie de rede de descanso interna. Segundo o estúdio, a solução introduz “porosidade, ludicidade e transparência” ao volume. A paleta de materiais reforça essa dualidade: o concreto polido e a madeira de olmo recuperada trazem um calor rústico, enquanto vigas de aço vermelho adicionam um contraponto gráfico e industrial, marcando as diagonais que guiam o olhar e o corpo.
O resultado é uma arquitetura que dissolve as fronteiras entre o construído e o natural, o interior e o exterior. A casa não apenas oferece um abrigo, mas propõe um percurso. A questão que permanece é onde termina a trilha na floresta e onde começa o caminho para casa. Talvez, na visão do UUfie, não haja mais distinção.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Dezeen





