Em 1967, dois anos antes de a ARPANET estabelecer a primeira conexão entre computadores e dar origem à internet, um programa da emissora americana CBS fez uma previsão audaciosa: "Na casa do futuro não teremos que ir ao trabalho, o trabalho virá a nós". A profecia, parte do programa The 21st Century, foi mais do que um palpite vago; ela desenhou com detalhes o que hoje chamamos de trabalho remoto.

O episódio, intitulado At Home: 2001, não apenas antecipou a mudança de paradigma no mundo corporativo, mas também os instrumentos que a viabilizariam. A análise daquela visão, resgatada em reportagem do site Xataka, revela o quão precisa a ficção pode ser ao capturar anseios sociais, mesmo quando erra os detalhes técnicos. Aquele futuro imaginado é, em essência, o nosso presente conectado, apenas com uma estética diferente.

A máquina de correspondência eletrônica

O centro da visão da CBS era um aparelho conceitual chamado de "máquina de correspondência eletrônica", o precursor do computador pessoal. O dispositivo não era um bloco monolítico, mas um conjunto de consoles especializados. Uma tela exibia um resumo das "notícias de todo o mundo transmitidas por satélite", que poderiam ser impressas. Outro módulo fornecia a previsão do tempo e cotações da bolsa de valores.

A previsão acertou em cheio na funcionalidade: o consumo de informação digital e sob demanda. O erro, compreensível para a época, foi imaginar que cada tarefa exigiria um hardware dedicado. A convergência de todas essas funções em uma única tela, acessível por uma rede global aberta, era um salto de abstração que a internet tornaria realidade décadas depois. A aposta no satélite como único meio de transmissão também se provou apenas parcialmente correta, diante da complexa infraestrutura de cabos e redes sem fio que sustenta o mundo digital.

A chamada de vídeo se torna real

Talvez a previsão mais impressionante estivesse na comunicação. O protótipo incluía um microfone de design surpreendentemente similar aos modelos de mesa atuais, permitindo chamadas de voz. Com o girar de um botão, o usuário poderia "ver as pessoas com quem está falando", uma clara antecipação das videoconferências que hoje dominam o ambiente corporativo em plataformas como Zoom e Teams.

O programa também vislumbrou a capacidade de usar o sistema para se comunicar com outros cômodos da casa, um embrião dos sistemas de vigilância e comunicação doméstica inteligente. Em retrospecto, a visão de 1967 é um testemunho de que a tecnologia muitas vezes não cria desejos, mas responde a eles. A necessidade de acesso instantâneo à informação e de uma comunicação mais rica e visual já estava presente, aguardando apenas os engenheiros que a tornariam possível.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka