A dívida pública dos Estados Unidos está crescendo a um ritmo de US$ 5,11 milhões por minuto. A cifra, que parece saída de uma hipérbole, é um dado oficial do Comitê Econômico Conjunto (JEC) do Congresso americano, que detalhou a aceleração do passivo do país. Segundo reportagem da Fortune, o endividamento total já supera os US$ 40 trilhões.

O número se traduz em uma dívida de US$ 117.279 para cada cidadão americano. Embora não seja uma conta que chegará pelo correio, seu custo é cada vez mais palpável: a pressão sobre os juros de hipotecas, financiamentos de veículos e cartões de crédito. A leitura é que, mesmo para a maior economia do mundo, a realidade fiscal começa a se impor de forma inescapável.

O custo invisível

O debate sobre a dívida americana frequentemente se perde na abstração dos trilhões. A análise do JEC, no entanto, joga luz sobre seu impacto concreto. O endividamento público força o Tesouro a competir por capital, o que, em um ambiente de juros já elevados, encarece o crédito para todos. Como destacou à Fortune Michael Peterson, da Peterson Foundation, o público paga a conta na forma de impostos e de um custo de vida inflacionado.

No último ano, a dívida por pessoa aumentou em US$ 7.806, enquanto o passivo total cresceu US$ 2,67 trilhões. O próprio governo sente o peso: o custo para servir essa dívida também sobe, com a taxa de juros média sobre os títulos do Tesouro em patamares mais altos do que há um ano, drenando recursos que poderiam ser alocados em outras áreas.

O otimismo resiste?

Apesar dos alertas, uma crise de confiança nos títulos do Tesouro americano — o canário na mina de uma crise fiscal — ainda não se materializou. Analistas que adotam uma visão mais otimista argumentam que o tamanho absoluto da dívida não é o principal problema para uma economia do tamanho da americana e que os juros elevados nos títulos de longo prazo se devem a outros fatores.

Contudo, o ritmo do crescimento é o que preocupa. Pelas projeções do comitê, mantida a velocidade atual, a dívida atingirá US$ 41 trilhões já nos próximos meses. A questão, portanto, não é se os EUA podem arcar com sua dívida hoje, mas por quanto tempo a trajetória atual de crescimento exponencial é sustentável sem consequências mais severas para sua própria economia e, por extensão, para os mercados globais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune