O mercado de capitais brasileiro viveu um dia de descolamento em relação às praças internacionais nesta terça-feira. Enquanto o Ibovespa registrava alta de aproximadamente 2%, o índice Dow Jones, em Nova York, operava em queda de cerca de 1%.
A divergência, que quebra a máxima de que “se Nova York espirra, o Brasil pega uma pneumonia”, tem drivers distintos. A leitura é que, enquanto o exterior precifica riscos macroeconômicos globais, o Brasil olha para sua própria dinâmica interna, em um movimento que merece análise.
O peso do barril a US$ 100
A principal variável por trás da cautela em Wall Street é o preço do petróleo. Com o barril do tipo Brent se aproximando da marca de US$ 100, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio, o mercado americano reacende o temor inflacionário.
Segundo Davi Ramos, sócio da Vante Invest, em análise ao Money Times, um petróleo mais caro força o Federal Reserve a ser “mais cauteloso em relação aos juros”. Essa perspectiva de uma política monetária restritiva por mais tempo nos EUA pressiona os ativos de risco, como as ações, explicando a baixa por lá.
A dinâmica doméstica
Do lado brasileiro, o otimismo parece ter outra origem. A reportagem do Money Times aponta que o mercado local também reage às últimas pesquisas eleitorais. Embora a matéria não detalhe o teor das pesquisas, o movimento sugere que os investidores estão precificando um resultado percebido como favorável ao mercado.
Este é um exemplo clássico de como fatores locais podem, momentaneamente, sobrepor-se às tendências globais. A alta do Ibovespa, nesse contexto, não é um sinal de imunidade à crise externa, mas um reflexo de que o peso dos eventos domésticos, neste momento, está falando mais alto na balança dos investidores.
Resta saber por quanto tempo esse descolamento se sustenta. A gravidade da macroeconomia global, puxada pelo preço da energia e pela política monetária americana, tende a se impor no longo prazo. A questão é se o otimismo local terá fôlego para continuar correndo em uma pista separada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





