O dólar à vista encerrou o pregão desta terça-feira (8) em queda de 0,88%, cotado a R$ 5,0858. O movimento de valorização do real se descolou da tendência global apenas parcialmente, sendo impulsionado por uma combinação de fatores que misturam a política doméstica e a geopolítica energética.
A leitura do mercado é que a queda reflete uma dupla dinâmica. De um lado, novas pesquisas eleitorais que apontam para uma disputa presidencial mais acirrada foram interpretadas como um sinal positivo. De outro, a alta nos preços do petróleo fortaleceu moedas de países exportadores de commodities, como o Brasil, segundo reportagem do Money Times.
A urna no câmbio
O principal vetor doméstico para o humor dos investidores foram as pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro. Levantamentos da Quaest e da parceria BTG Pactual/Nexus mostraram um cenário de maior competitividade. A pesquisa BTG/Nexus, em particular, apontou pela primeira vez o senador Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno, com 46% contra 45%.
Para a Faria Lima, um pleito mais competitivo ou a perspectiva de alternância de poder costuma ser precificada como uma redução do risco-país. Embora o cenário permaneça incerto, a simples possibilidade de um resultado em aberto, quebrando a percepção de uma reeleição garantida, foi suficiente para animar os negócios e retirar pressão sobre a taxa de câmbio.
O fator petróleo e a cautela externa
No front externo, o real encontrou suporte na valorização do petróleo. Ataques de houthis a infraestruturas de energia na Arábia Saudita elevaram a cotação do barril tipo Brent, que fechou em alta de 0,95%, a US$ 97,92. O movimento beneficia diretamente o Brasil e outras economias emergentes cujas exportações são atreladas à commodity.
Apesar do otimismo pontual, o economista Vitor Kayo, da Nomad, pondera na reportagem original que o cenário global exige cautela. Dados fortes do mercado de trabalho americano (payroll) reacenderam as apostas de que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, pode voltar a subir os juros para conter a inflação. Uma política monetária mais restritiva em Washington tende a fortalecer o dólar globalmente, exercendo pressão contrária sobre moedas como o real.
O recuo do dólar, portanto, ilustra um equilíbrio delicado. A força do real depende de uma combinação frágil entre os ventos políticos domésticos, que podem mudar rapidamente, e as decisões de política monetária da maior economia do mundo. A queda abaixo de R$ 5,10 é um evento notável, mas sua sustentabilidade é a questão que definirá as próximas semanas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times — Mercados





