Uma nova fotografia da corrida pelo governo de São Paulo em 2026 mostra um cenário de consolidação para o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira o posiciona com 42% das intenções de voto, abrindo uma vantagem de 15 pontos sobre Fernando Haddad (PT), que marca 27%.

Os números, que mostram uma leve oscilação positiva para Tarcísio em relação à pesquisa anterior (de 40% para 42%), revelam uma dinâmica crucial: a disputa pelo eleitorado independente. É nesse segmento que o governador avança, enquanto o ministro da Fazenda recua, desenhando os contornos do desafio estratégico para o Partido dos Trabalhadores no estado mais rico do país.

O voto moderado em jogo

O detalhe mais relevante da pesquisa não está na fotografia geral, mas no movimento das placas tectônicas do eleitorado. Tarcísio viu seu apoio entre os independentes saltar de 27% para 34%, um ganho expressivo que explica sua consolidação. No mesmo período, Haddad percorreu o caminho inverso, caindo de 24% para 17% nesse mesmo grupo. A leitura é que a gestão de Tarcísio, embora de origem bolsonarista, consegue comunicar um pragmatismo que atrai eleitores fora de sua base ideológica. Haddad, por outro lado, parece ainda confinado aos limites do eleitorado petista tradicional em São Paulo.

O dilema de Haddad

Para Fernando Haddad, o cenário impõe um dilema. A cadeira de ministro da Fazenda lhe confere alta visibilidade, mas o ata diretamente à performance econômica do governo federal, com seus desgastes inerentes. Tarcísio, em contraste, opera com a vantagem de ser o gestor do principal estado da federação e, ao mesmo tempo, uma figura de oposição nacional, mas sem o ônus diário do Palácio do Planalto. Os 5% que Haddad obtém entre bolsonaristas são residuais, enquanto os 12% de Tarcísio entre lulistas, embora dentro da margem de erro para o segmento, sinalizam uma permeabilidade que a campanha petista não pode ignorar.

A eleição ainda está distante, e os 27% de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco/nulo mostram que o jogo está longe de ser definido. Contudo, a pesquisa Quaest acende um alerta para o PT: a estratégia para reconquistar o Palácio dos Bandeirantes exigirá mais do que a polarização nacional. Será preciso construir uma alternativa que dialogue com o centro e o eleitor independente, um terreno que, hoje, parece mais fértil para o atual governador.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney