A carteira de crédito agrícola da Caixa Econômica Federal atingiu um nível de inadimplência de 20,74% no segundo trimestre, um número que representa um salto dramático em relação aos 7,02% registrados no mesmo período do ano anterior. O indicador, que mede os atrasos superiores a 90 dias, subiu em relação aos 18,29% do primeiro trimestre, sinalizando uma deterioração contínua.
Apesar do quadro adverso, a diretoria do banco estatal adota um tom de otimismo cauteloso. Segundo reportagem do Money Times, executivos afirmam que a curva de crescimento dos calotes está se estabilizando, com uma “perda de velocidade”. A leitura da gestão é que o pior pode ter passado, e a aposta para a recuperação está centrada em um novo programa de reestruturação de dívidas rurais lançado pelo governo federal.
O tamanho do problema
O otimismo da Caixa contrasta com a frieza dos números. Um em cada cinco reais emprestados ao setor está em atraso, um patamar que acende alertas para a gestão de risco de qualquer instituição financeira. Marcos Brasiliano Rosa, vice-presidente de finanças, foi quem usou a expressão sobre a “perda de velocidade” do crescimento da inadimplência durante a apresentação dos resultados do banco.
A principal ferramenta para reverter esse cenário é a Medida Provisória 1.376, que autorizou linhas de crédito especiais para produtores e cooperativas afetados por eventos climáticos ou quebras de mercado entre 2019 e 2025. A intervenção governamental é vista como crucial para evitar um colapso na carteira, uma dinâmica que espelha a dependência do banco em outras frentes, como o programa Desenrola para o crédito a pessoas físicas.
O desafio da Caixa é estrutural. A expansão de quase 12% na carteira de crédito total do banco no último ano foi acompanhada por um aumento significativo no risco, especialmente no agronegócio. A questão que fica é se a estabilização da inadimplência será sustentada por uma melhora fundamental do setor ou se dependerá continuamente de programas de renegociação patrocinados pelo Tesouro. Para o banco e para o setor, a colheita dos próximos trimestres será decisiva.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





