Pequenas e estratégicas trocas na dieta podem ter um impacto significativo na redução do risco de câncer, especialmente o de cólon, cuja incidência tem crescido de forma preocupante entre os mais jovens. A conclusão vem de um trabalho liderado por Kenny Mendoza, pesquisador de saúde pública da University of Texas Southwestern Medical Center e com formação em Harvard, que analisou o que acontece quando se substitui alimentos ultraprocessados por alternativas mais íntegras.

Segundo reportagem do Business Insider, a análise de Mendoza vai além da contagem de calorias ou nutrientes isolados. O foco está no grau de processamento dos alimentos. Com base em dados de mais de 200 mil profissionais de saúde nos EUA, seu estudo modelou os efeitos de reduzir o consumo de ultraprocessados. A tese é que não se trata de uma revolução alimentar, mas de ajustes pontuais e factíveis com grande potencial preventivo.

Os vilões do ultraprocessamento

A pesquisa identificou que uma redução de apenas 10% no consumo de calorias vindas de alimentos ultraprocessados — o equivalente a cortar um refrigerante, uma porção pequena de batatas fritas ou poucas fatias de bacon por dia — já está associada a uma diminuição pequena, mas estatisticamente relevante, no risco de cânceres ligados à obesidade, como o de mama e o colorretal.

Dentro do vasto universo dos ultraprocessados, dois grupos se destacam como os mais associados ao aumento do risco de câncer: carnes processadas (como bacon e embutidos) e bebidas açucaradas. Mendoza afirma que os evita completamente e recomenda que outros façam o mesmo. A decisão reflete um consenso crescente na comunidade científica sobre o impacto inflamatório e carcinogênico desses produtos.

A troca dupla no café da manhã

O estudo de Mendoza destaca uma substituição com benefício duplo: trocar uma porção de pão ultraprocessado (como o pão de forma comum) por uma de cereal integral, como a aveia. A vantagem é dupla porque, ao mesmo tempo que se elimina emulsificantes e conservantes do pão industrializado — ligados a processos inflamatórios que podem levar ao câncer —, adiciona-se fibras e vitaminas do complexo B dos grãos integrais, que ajudam a proteger o organismo.

Outra alternativa poderosa é substituir o tradicional bacon do café da manhã por iogurte. A recomendação se sustenta mesmo que alguns iogurtes sejam tecnicamente ultraprocessados. O segredo está nas culturas ativas, as bactérias benéficas que fortalecem a microbiota intestinal. Um intestino saudável é uma das principais barreiras de defesa do corpo. A ressalva é optar por iogurtes naturais e sem adição de açúcar, adoçando-os com frutas ou mel, para evitar os picos de glicose e aditivos desnecessários.

A mensagem final não é de purismo alimentar, mas de pragmatismo. A eliminação total de processados é irrealista para a maioria das pessoas. O caminho, sugere a ciência, é a redução consciente e a substituição inteligente, começando pelas refeições que definem o tom do dia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider