A atividade do setor privado na Espanha acelerou de forma robusta em julho, atingindo o ritmo mais forte dos últimos 19 meses. O índice PMI composto, um termômetro da saúde econômica, subiu de 53,3 pontos em junho para 56,5, uma marca que indica forte expansão. O motor quase exclusivo desse crescimento foi o setor de serviços.

O dado, reportado pela Forbes España, revela uma economia de duas velocidades. Enquanto o setor de serviços prospera, a indústria manufatureira mostra sinais de estagnação. A leitura aqui é que a recuperação espanhola, embora bem-vinda, repousa sobre uma base estreita, o que levanta questões sobre sua resiliência a médio e longo prazo.

O motor de serviços

Os números detalham essa divergência. O PMI do setor de serviços saltou de 54,2 para 58,3 pontos, o maior patamar desde 2023. Esse desempenho impulsionou a contratação de pessoal para atender ao aumento das vendas e reflete um otimismo generalizado entre as empresas do setor. A demanda aquecida parece ser o principal catalisador do momento.

Em contraste, o PMI da indústria manufatureira subiu de forma marginal, de 49,7 para 50,2 pontos. O valor, tecnicamente, cruza a linha de 50 que separa contração de expansão, mas sinaliza, na prática, uma estagnação. A força motriz da economia espanhola, no momento, não vem de suas fábricas, mas de seus restaurantes, hotéis e empresas de tecnologia.

Nuvens no horizonte

Apesar do otimismo, o próprio relatório traz notas de cautela. Paul Smith, economista da S&P Global Market Intelligence, destacou que o ritmo de crescimento de julho foi "extraordinário", mas questionou se ele poderá ser mantido a curto prazo. A confiança empresarial, apesar de alta, recuou ligeiramente em relação a junho, e a incerteza sobre o cenário geopolítico global persiste como um risco.

Outro ponto de tensão está nos preços. As pressões de custo nos insumos, embora moderadas, continuam em níveis historicamente elevados. Ao mesmo tempo, as empresas de serviços reajustaram suas tarifas no ritmo mais lento desde o início de 2021. A combinação sugere um esmagamento das margens de lucro, um fator que pode frear investimentos e contratações futuras se a demanda arrefecer.

O verão espanhol parece economicamente ensolarado, mas a questão que fica não é sobre a temperatura atual, e sim sobre a duração da estação. A dependência de um único setor e as pressões de custo latentes são desafios que testarão a força da recuperação nos próximos meses.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España