Uma mudança silenciosa, mas com forte impacto cultural e econômico, está em curso na Espanha. Jovens entre 18 e 23 anos estão trocando cerveja e vinho por uma alternativa que, até pouco tempo, era coadjuvante: a água com gás. O fenômeno já rendeu até um apelido, a "geração água com gás", e reflete uma tendência mais ampla de moderação no consumo de álcool.

O que poderia ser uma observação anedótica de donos de bares é, na verdade, um movimento estrutural. Segundo reportagem do site espanhol Xataka, a mudança de hábito está alinhada a uma busca por bebidas mais saudáveis, sem açúcar e sem calorias. É uma reconfiguração de rituais sociais que começa a ser sentida no balanço das empresas de bebidas e no varejo.

A matemática da sobriedade

Os números confirmam a transição. Um estudo do Ministério da Saúde da Espanha revelou que, nas últimas duas décadas, o consumo regular de álcool entre jovens de 15 a 24 anos caiu aproximadamente 60%. Em paralelo, o mercado de água gaseificada floresce. Uma análise da consultoria Nielsen apontou um crescimento de 14,3% ao ano no volume de vendas da categoria, enquanto dados da Circana para o canal de supermercados mostram uma expansão ainda mais expressiva, de 21,4%.

Este não é um fenômeno isolado. A Europa lidera uma tendência global, com uma cota de 45% de um mercado que a Fortune Business Insights avaliou em US$ 47,75 bilhões em 2025. A previsão é que o setor continue a crescer a uma taxa composta de 12,4% até 2034, impulsionado pela demanda por alternativas não alcoólicas.

Embora o volume total de água com gás ainda seja significativamente menor que o de outras bebidas, como a própria água mineral sem gás, a trajetória de crescimento é inegável. O brinde com bolhas sem álcool deixa de ser uma exceção para se tornar um símbolo de uma nova forma de socialização, mais sóbria e consciente, com implicações diretas para toda a indústria.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka