Em Tbilisi, capital da Geórgia, a demolição de um icônico e controverso complexo de artes está em pleno andamento, apesar dos protestos de arquitetos e da comunidade local. O Rike Park Music Theatre and Exhibition Hall, conhecido popularmente como "Rike Tubes", começou a ser destruído no final de julho, com conclusão prevista para dezembro, após aprovação do governo da cidade.
A obra, que nunca chegou a ser inaugurada, é um símbolo da era pró-Ocidente do ex-líder Mikheil Saakashvili. Segundo reportagem da ARTnews, sua demolição para dar lugar a um hotel não é apenas uma questão urbana, mas a materialização de uma disputa política sobre a identidade e o futuro do país, travada na própria paisagem da capital.
Arquitetura como campo de batalha
Projetado pelo renomado estúdio italiano Fuksas, o par de estruturas de vidro e aço custou cerca de US$ 29 milhões em dinheiro público e foi concebido para ser um marco da modernização e da aproximação da Geórgia com a Europa. Sua estética ultracontemporânea era uma declaração política, um contraponto visual à herança soviética.
Contudo, o projeto sempre foi controverso, com críticos apontando o choque com o centro histórico de Tbilisi. A mudança de governo em 2012 selou seu destino. O complexo foi abandonado e, posteriormente, privatizado. A recusa em reaproveitar o espaço, mesmo com a oferta dos próprios arquitetos para ajudar na reconversão, e a opção pela demolição em favor de um projeto hoteleiro sinalizam uma clara ruptura com o legado do governo anterior.
O que vem depois?
O movimento sugere que a arquitetura se tornou um campo de batalha para narrativas políticas. A preocupação agora se volta para o que ocupará o terreno. O novo proprietário, uma subsidiária da Maqro Property chamada Rike Dom, planeja um hotel, mas os detalhes são escassos, alimentando a incerteza sobre o futuro do local.
A demolição dos "Rike Tubes" não é um caso isolado e levanta um debate mais amplo sobre preservação e apagamento histórico na cidade. O destino do complexo tornou-se um microcosmo da Geórgia contemporânea. A questão que fica não é apenas sobre a perda de um edifício, mas sobre qual camada da história e qual projeto de nação prevalecerá no tecido urbano de Tbilisi.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





