Roland Busch, o CEO do conglomerado alemão Siemens, revelou uma filosofia de gestão que soa como heresia para a cultura corporativa tradicional. Para manter sua caixa de entrada com menos de 100 e-mails, suas respostas raramente excedem duas palavras: “OK” ou “Não”. Se precisar de mais, ele dita uma nota de voz enquanto caminha pelo escritório.

Essa abordagem minimalista, reportada pela revista Fortune, se estende ao calendário. Busch não tem reuniões recorrentes com seus subordinados diretos. A política é de porta aberta: “Você vem a mim sempre que precisar”, disse ele. A lógica por trás da aparente radicalidade é o fio condutor de um movimento crescente no C-level global: um ataque frontal à burocracia da comunicação e ao que se pode chamar de “teatro da produtividade”.

A física da gestão

Para Busch, que comanda uma companhia de US$ 256 bilhões, a eficiência é um imperativo, não um capricho. Ele credita sua mentalidade à sua formação como físico, que o teria ensinado a “descascar um problema, separando as questões centrais das menos importantes”. A recusa em participar do ritual de reuniões fixas é encapsulada em sua frase mais direta: “Não preciso entreter pessoas, e elas não precisam me entreter”.

A ascensão de Busch, que está na Siemens desde 1994 e viu as ações mais que dobrarem sob sua liderança desde 2021, valida o método. A lição aqui não é sobre ser antissocial, mas sobre realocar o recurso mais escasso de um executivo — o tempo — para decisões de alto impacto, em vez de gastá-lo em cerimônias corporativas de baixo retorno.

O clube dos anti-reunião

O CEO da Siemens não está sozinho nessa cruzada. Jensen Huang, da Nvidia, eliminou reuniões individuais com seus diretos, argumentando que a informação deve fluir de forma ágil e transparente para todos. Bob Jordan, da Southwest Airlines, bloqueia as tardes de quarta a sexta-feira para garantir tempo de trabalho focado, alertando para o risco de “confundir ir a reuniões com trabalhar”.

Ninguém, contudo, foi mais enfático que Jamie Dimon. Em sua carta anual aos acionistas do JPMorgan Chase, o banqueiro foi taxativo: “Matem as reuniões”. Para ele, elas são um dreno de produtividade e um palco para desrespeito, como o hábito de checar e-mails durante a conversa. A convergência de visões em setores tão distintos — engenharia, semicondutores, finanças — sinaliza uma mudança de paradigma.

O movimento não questiona a necessidade de comunicação, mas a sua forma. O desafio que emerge para as organizações não é apenas cortar reuniões, mas redesenhar os fluxos de informação para que a agilidade radical de seus líderes não se transforme em silos operacionais ou vácuos de alinhamento. A busca é por um sistema que combine eficiência máxima com coesão estratégica.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune