A Paytrack, plataforma catarinense de gestão de despesas e viagens corporativas, anunciou a expansão de suas ferramentas de inteligência artificial. O movimento ocorre após a companhia registrar uma economia de mais de R$ 90 milhões na compra de passagens aéreas para seus clientes no último ano, que incluem nomes como JBS, Yamaha, Getnet e Outback.

A novidade, batizada de TEO Agents, é um conjunto de cinco “agentes” de IA que atuam em diferentes etapas da jornada de uma viagem corporativa. A leitura aqui é que a empresa dobra a aposta em uma tese central: tirar a gestão financeira do retrovisor e movê-la para o campo preditivo, onde a tecnologia não apenas automatiza processos, mas antecipa decisões para reduzir custos.

Do retrovisor ao preditivo

Tradicionalmente, a gestão de despesas corporativas opera de forma reativa. O gasto é feito, o comprovante é submetido e só então ocorrem a conferência e o reembolso. A proposta da Paytrack, segundo seu CEO, Pedro Góes, é usar a IA para que as áreas financeiras “deixem de atuar apenas olhando para o retrovisor”. A tecnologia de análise preditiva da empresa já cruzava dados de histórico, rotas e sazonalidade para indicar o melhor momento de compra de um bilhete aéreo.

Com os novos agentes, essa lógica se aprofunda. O sistema agora promete não só otimizar a compra, mas também auditar despesas em tempo real com um agente antifraude, prestar contas por meio de uma foto do comprovante e até oferecer um assistente de IA para o viajante durante o percurso. Para empresas como C&A e Hyundai, também clientes da plataforma, a promessa é de uma redução drástica no tempo gasto em tarefas operacionais, liberando as equipes para atividades mais estratégicas.

Um ecossistema para a jornada completa

O lançamento do TEO Agents sinaliza a ambição da Paytrack de criar um ecossistema integrado, não apenas uma ferramenta pontual. A segmentação em cinco agentes — Savings, Viajante, Despesas, Auditor e Insights — cobre a jornada de ponta a ponta. Há uma solução para quem reserva a viagem, uma para quem viaja, e outras para quem aprova e analisa os dados consolidados. O objetivo é claro: reduzir o atrito e o trabalho manual em cada etapa.

A empresa alega que a automação na prestação de contas pode reduzir o tempo gasto nessa tarefa em até 80%, enquanto a auditoria por IA pode cortar em 90% o tempo de conferência. Para os gestores, o “Agente de Insights” permite conversar com os dados em linguagem natural, buscando oportunidades de economia sem a necessidade de planilhas complexas. Clientes como o Grupo Mateus e o Sicredi já reportam ganhos de eficiência e reduções de custos na casa dos milhões.

O movimento da Paytrack ilustra uma tendência mais ampla no mercado de software como serviço (SaaS), onde a IA deixa de ser um recurso acessório para se tornar o motor principal da proposta de valor. O desafio será comprovar que essa inteligência pode se traduzir em ganhos estratégicos consistentes dentro das complexas estruturas de grandes corporações.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney