O partido Novo oficializou nesta segunda-feira a candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República. A convenção nacional em Brasília marca o início formal de uma campanha que, até agora, operava nos bastidores, mas que entra no jogo eleitoral com um desafio monumental: a ausência de um vice na chapa e um distante terceiro lugar nas pesquisas.

Com apenas 3% das intenções de voto, segundo o mais recente levantamento do Datafolha, Zema parte muito atrás dos líderes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 40%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 32%. A aposta da campanha, segundo reportagem do InfoMoney, é que a largada oficial da disputa, com horário eleitoral e debates, dará ao candidato a visibilidade nacional que hoje lhe falta, apresentando-o como uma alternativa de gestão para a direita.

O cálculo da terceira via

O diagnóstico interno da campanha do Novo é que as crises na candidatura de Flávio Bolsonaro abriram uma fresta para uma alternativa no campo da direita. Nesse vácuo, Zema tem sido posicionado não como um combatente ideológico, mas como um gestor com um track record de austeridade e reformas administrativas em Minas Gerais. A estratégia é mirar em setores estratégicos descontentes com a polarização, como o agronegócio e o empresariado.

A aproximação com lideranças evangélicas também está na pauta, embora o apoio ainda seja tímido. Segundo a apuração, alguns pastores já gravaram manifestações de apoio, mas preferem esperar um momento de maior tração da campanha para divulgá-las. É um sinal claro de que, apesar da oficialização, Zema ainda precisa provar sua viabilidade para converter simpatia em capital político real.

A aritmética eleitoral

A estratégia de Zema difere da de outros concorrentes no mesmo espectro, como Ronaldo Caiado (PSD). Ao invés de ataques diretos a Flávio Bolsonaro, a campanha do Novo opta por focar na apresentação de propostas e na defesa do legado de Zema em Minas. É uma tentativa de se vender pela competência, não pelo confronto. A questão é se essa abordagem mais sóbria tem força para furar a bolha de um eleitorado acostumado à política de alta voltagem.

Os números, por enquanto, não são favoráveis. Zema não apenas está longe dos ponteiros, como aparece numericamente atrás de Caiado. A campanha aposta em ferramentas tradicionais, como a propaganda na TV, para reverter esse quadro. Contudo, a eficácia desses instrumentos é cada vez mais questionada em um cenário dominado por redes sociais e pela lealdade a figuras políticas consolidadas.

A oficialização da candidatura é o passo mais fácil. O verdadeiro desafio de Zema será transformar uma reputação de bom administrador regional em uma narrativa nacional convincente. Sem um vice para compor a chapa e diante de um eleitorado entrincheirado, sua campanha é, por ora, mais uma declaração de princípios do que um caminho claro para o Palácio do Planalto.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney