Em um mercado automotivo marcado pela escalada de preços, a Honda traçou um plano ambicioso para manter seus veículos acessíveis. A iniciativa, batizada de "Triple Half", visa cortar pela metade o tempo de desenvolvimento, os custos e os recursos alocados em novos projetos, segundo reportagem do site especializado The Drive.

A estratégia vai além de simples otimizações de portfólio. A montadora japonesa aposta em dois pilares tecnológicos para alcançar a meta: o uso intensivo de inteligência artificial para simular testes e um pragmático intercâmbio de conhecimento com a indústria chinesa, hoje na vanguarda da automação.

IA para acelerar o desenvolvimento

Um dos maiores gargalos — e custos — no desenvolvimento de um carro são os testes de segurança. A Honda pretende usar IA para realizar simulações de colisão virtuais, acelerando a obtenção de dados e reduzindo a necessidade de testes físicos preliminares. Noriya Kaihara, vice-presidente executivo da companhia, explicou que a tecnologia permite chegar a conclusões mais informadas com menos recursos.

É importante notar que as simulações não substituem os testes obrigatórios por lei, mas os complementam. Ao refinar virtualmente um projeto antes de construir protótipos físicos, a empresa economiza tempo e dinheiro que seriam gastos em etapas posteriores, um impacto direto na busca pela eficiência do plano "Triple Half".

O paradoxo chinês

O segundo pilar da estratégia é mais complexo e revela as tensões da geopolítica atual. Kaihara admitiu ao The Drive que "a China está liderando em termos de tecnologia" na indústria automotiva. Equipes da Honda estão no país para estudar suas técnicas de manufatura e, principalmente, robótica.

O movimento, no entanto, não é de simples importação tecnológica. A Honda busca absorver o "know-how" chinês para desenvolver suas próprias tecnologias de automação, especialmente para o mercado americano. "Não podemos simplesmente usar tecnologias chinesas nos EUA", afirmou o executivo, citando a questão política. A estratégia é aprender com o líder para, então, criar uma solução proprietária.

Esse esforço por eficiência ocorre enquanto a Honda reajusta sua rota, realocando investimentos que iriam para veículos elétricos globais para o desenvolvimento de híbridos. Para a gestão da empresa, o objetivo não é apenas produzir o carro mais barato, mas entregar o melhor "valor percebido" ao cliente. A combinação de IA, aprendizado industrial e pragmatismo geopolítico é a fórmula da Honda para navegar em um cenário de custos crescentes e alta competição.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Drive