O cineasta americano Rob Tregenza estreia seu sexto longa-metragem, 'Fast', esta semana no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York. O filme acompanha Sterling, uma mulher que retorna à sua pequena cidade na Virgínia e tenta restaurar um antigo carro de Fórmula 1, em uma narrativa deliberadamente fragmentada e não-cronológica.
O lançamento, no entanto, é menos sobre a trama e mais sobre o método. Quase trinta anos depois, Tregenza coloca em prática uma diretriz que recebeu de seu então produtor para outro filme: o ícone da Nouvelle Vague, Jean-Luc Godard. A estreia de 'Fast' é a materialização de uma filosofia de produção que valoriza a urgência e a imperfeição.
Rápido, Difícil, Belo
A máxima de Godard, segundo Tregenza, era: 'filme rápido, difícil e belo'. O diretor levou a instrução ao pé da letra. 'Fast' foi rodado em apenas dez dias, sem horas extras. A rapidez da produção se reflete na urgência da obra, mas o 'difícil' e o 'belo' moldam sua textura. O 'difícil' se manifesta na complexidade conceitual e na recusa de uma história linear; o 'belo', em abraçar as oportunidades estéticas que surgem do processo.
Críticos como Michael Sicinski, do In Review Online, descrevem o filme como um 'poema de tom' sobre 'desejos frustrados' e a 'falha das coisas em se unirem'. A leitura é que o método de Tregenza não é apenas um artifício, mas o próprio tema: a tentativa de produzir significado artístico sem perfeccionismo, abraçando a confusão e as conexões imperfeitas entre as coisas.
Uma Herança de Fraturas
Essa abordagem não é nova para Tregenza. Seu filme de estreia, 'Talking to Strangers' (1988), composto por nove planos-sequência de dez minutos, foi o que chamou a atenção de Godard, que o elogiou como 'notável e por vezes espantoso'. Em 'Fast', a autonomia de cada cena, algumas em cores e outras em preto e branco, parece uma evolução dessa mesma busca por uma temporalidade própria, que desafia a lógica narrativa convencional.
Como aponta Richard Brody na The New Yorker, a técnica de Tregenza coloca momentos-chave 'num permanente tempo presente de sugestão, implicação e ambiguidade'. Não se trata de um quebra-cabeça a ser resolvido, mas de uma imersão na subjetividade da protagonista e na memória coletiva da cidade. O filme opera como uma viagem pela experiência interior, onde a cronologia cede lugar à emoção e à sugestão.
Ao rejeitar a coesão tradicional em favor de uma exploração sensorial, Tregenza se reafirma como um herdeiro tardio de certo modernismo cinematográfico. Seu trabalho opera em um nicho onde a forma não apenas segue a função, mas se torna o próprio evento, um lembrete de que o cinema pode ser mais sobre sentir do que necessariamente entender.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Criterion Daily





