Steven Bartlett, criador do podcast “The Diary of a CEO” — um fenômeno que rivaliza com Joe Rogan em audiência no YouTube —, tem uma visão clara sobre o ecossistema de conteúdo digital. Para se manter atualizado em um ciclo de notícias frenético, especialmente sobre temas como inteligência artificial, sua plataforma de escolha é o X. A preferência não é casual: para ele, a rede de Elon Musk opera “um dia à frente” das demais.

O argumento central de Bartlett, no entanto, é menos sobre qual plataforma usar e mais sobre a arquitetura de poder por trás delas. Em um evento recente, ele cunhou um termo para o destino de quem constrói sua audiência em terreno alugado: ser “Zuckado”. A referência direta a Mark Zuckerberg encapsula a tese de que a dependência de algoritmos de distribuição, como os da Meta, é uma armadilha estratégica para qualquer criador de conteúdo.

A velocidade do X, a armadilha do feed

O valor do X para profissionais como Bartlett reside na sua crueza e imediatismo. Enquanto plataformas como Instagram e Facebook entregam um feed altamente mediado por IA, o X ainda funciona como um terminal de notícias em tempo real, um fluxo de sinais brutos e conversas diretas com especialistas. “Preciso estar atualizado muito rapidamente como entrevistador”, afirmou, segundo o Business Insider. Para ele, a velocidade é um ativo inegociável.

Essa agilidade contrasta com a experiência que ele teve em sua antiga agência, a Social Chain. Bartlett recorda como o alcance orgânico de contas no Facebook despencou 50% da noite para o dia, uma decisão unilateral da plataforma que afetou todo o mercado. A lição foi dura: curtidas e seguidores não representam uma relação com a audiência, mas uma permissão de contato que pode ser revogada a qualquer momento pelo dono do algoritmo.

Relações mais duráveis que algoritmos

O prognóstico de Bartlett é que a situação tende a piorar. A própria Meta anunciou em seus resultados trimestrais que intensificará o uso de IA para recomendar conteúdo, independentemente de quem o usuário segue. Na prática, isso significa que o conceito de “ter seguidores” se torna cada vez mais abstrato. “Chegará um momento em que não importa se você tem 1 ou 2 milhões de seguidores. Zuck vai simplesmente decidir quem eu alcanço”, disse ele.

A resposta para esse dilema não está em uma nova plataforma, mas em um modelo de negócio diferente. A estratégia de Bartlett, assim como a de muitos outros publishers, é um retorno ao básico: forjar relações diretas com os fãs através de eventos, programas de membros e outros produtos. A frase que resume sua filosofia é um mantra para a creator economy: “Relacionamentos são mais duráveis que algoritmos”.

O debate, portanto, não é sobre a preferência por X ou Instagram. A verdadeira escolha para um criador é entre a dependência de algoritmos de distribuição, que otimizam para o engajamento da plataforma, e a construção de uma audiência proprietária, que otimiza para a sustentabilidade do negócio.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider