A liberalização do esporte universitário americano, que passou a permitir que atletas monetizem seu nome, imagem e semelhança (prática conhecida pela sigla NIL), abriu uma nova fronteira para o marketing. Mas enquanto muitas marcas seguiram o manual tradicional do patrocínio, a empresa de beleza Madison Reed apostou em um caminho distinto. Em um artigo para a Fast Company, a fundadora e CEO Amy Errett detalha uma estratégia que trata atletas como parceiras de negócio, não como meros outdoors.
O modelo implementado com atletas do basquete feminino da Universidade de Connecticut, como Paige Bueckers e Azzi Fudd, foge do transacional. A tese aqui não é apenas sobre exposição de marca, mas sobre a construção de uma narrativa conjunta. A abordagem sugere um amadurecimento do marketing de influência, onde a autenticidade não vem de um post pago, mas de uma integração genuína com o negócio.
Valores compartilhados, não transacionais
A base da parceria, segundo Errett, não é o produto — no caso, tintura de cabelo —, mas um alinhamento de valores. A missão da Madison Reed de empoderar mulheres, oferecendo carreiras estáveis para uma força de trabalho majoritariamente feminina, encontrou eco no comprometimento das atletas com suas comunidades e com a criação de oportunidades para outras jovens. Essa conexão de propósito transforma a relação.
Quando a parceria transcende a troca de dinheiro por visibilidade, o atleta deixa de ser um porta-voz contratado para se tornar um defensor da marca. A colaboração se aprofunda para além de sessões de fotos ou posts em redes sociais, criando uma base de confiança que legitima a associação aos olhos do consumidor. É a diferença entre um endosso e uma aliança estratégica.
Da quadra à sala de reunião
O tratamento das atletas como parceiras se materializa em ações concretas. Elas são convidadas a participar de discussões sobre o negócio, influenciam campanhas de marketing e até mesmo participam do desenvolvimento de produtos — Bueckers, por exemplo, colaborou na criação de uma tonalidade de cabelo com sua assinatura. Outras, como Fudd, chegaram a estagiar na empresa enquanto cursavam seus MBAs.
Essa imersão no negócio abre portas para um crescimento que vai além da carreira esportiva, com a empresa explorando possibilidades de participação acionária ou mesmo franquias no futuro. A lógica é investir no desenvolvimento profissional do atleta fora das quadras, gerando valor de longo prazo para ambos os lados. A visão é transformar um contrato de marketing em uma plataforma de carreira.
Embora o ecossistema NIL seja uma particularidade americana, a lição da Madison Reed é universal. Para marcas que buscam relevância, especialmente no Brasil com seu robusto mercado de influenciadores, o caso serve como um lembrete. A autenticidade não pode ser apenas um item no briefing da campanha; ela precisa ser construída através de uma integração real, onde o parceiro não apenas executa uma visão, mas ajuda a construí-la.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





