Um mapa detalhado das relações comerciais dos Estados Unidos, estado por estado, revela uma nova configuração geoeconômica em curso. Com base em dados de 2025 do U.S. Census Bureau, uma análise compilada pelo Visual Capitalist mostra que o Canadá é o principal parceiro de importação para 23 estados americanos, mais do que qualquer outro país. O México vem em seguida, liderando em nove estados.
A leitura imediata é a consolidação do bloco norte-americano. Em um cenário de tensões crescentes com a China e de busca por cadeias de suprimentos mais resilientes, a proximidade geográfica e os acordos comerciais como o USMCA (sucessor do NAFTA) parecem estar fortalecendo os laços regionais. A China, que por anos dominou a narrativa do comércio global, aparece como principal fornecedora para apenas quatro estados, um número expressivo por sua modéstia.
O eixo norte-americano
A proeminência do Canadá e do México não é uma surpresa, mas a sua escala é notável. A integração econômica vai muito além das zonas de fronteira. O Canadá, por exemplo, não é apenas o principal parceiro de estados como Maine e Montana, mas também de Oklahoma e Colorado. O México, por sua vez, é crucial para potências industriais como Michigan e Texas, onde responde por 47% e 43% das importações, respectivamente.
Essa dependência, no entanto, é uma faca de dois gumes. O estado de Montana importa 91,4% de seus bens do Canadá, uma concentração que, embora eficiente, expõe sua economia a qualquer volatilidade nas relações bilaterais, seja por disputas tarifárias ou por choques de oferta. É a materialização do conceito de 'nearshoring', com suas vantagens logísticas e seus riscos geopolíticos inerentes.
A Ásia além da China
O declínio relativo da China como principal parceiro não significa uma retração do comércio com a Ásia. Pelo contrário, os dados sugerem uma diversificação. Taiwan emerge como um ator central, sendo o principal fornecedor para cinco estados, incluindo centros tecnológicos como Arizona e Nevada, provavelmente impulsionado pela indústria de semicondutores. Outros países, como Malásia (Idaho), Tailândia (Nebraska) e Coreia do Sul (Havaí), também aparecem no mapa, indicando uma fragmentação sofisticada das cadeias de valor.
Enquanto isso, a China mantém sua relevância em mercados de peso, como Califórnia e Tennessee, refletindo seu domínio contínuo em bens de consumo e eletrônicos. O mapa também revela anomalias setoriais, como a Irlanda sendo a maior fonte de importações para Indiana — um reflexo da força da indústria farmacêutica — e a Suíça para Nova York, possivelmente ligada a produtos de luxo e farmacêuticos. O quadro geral não é de um simples desacoplamento, mas de um complexo e multifacetado realinhamento do comércio global, cujas linhas estão sendo desenhadas estado por estado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





