A confiança é um “valor estratégico e a base imprescindível” para investir e construir alianças na Ibero-América. A afirmação, que poderia soar como um clichê corporativo, ganhou peso ao ser proferida por Narciso Casado, secretário permanente do Conselho de Empresários Ibero-americanos (CEIB), durante a II Cúpula Empresarial Centro-americana na Guatemala.
O posicionamento serve como um dos pilares conceituais para a próxima Cúpula Ibero-americana de Chefes de Estado, agendada para novembro em Madri. A tese de Casado é direta: por trás de temas como investimento, inovação e inteligência artificial, a confiança funciona como uma pré-condição. Sem ela, o capital é mais avesso ao risco e os projetos de longo prazo se tornam inviáveis, uma leitura especialmente crítica para uma região que busca se consolidar como um destino seguro para investimentos.
A infraestrutura invisível
O argumento central de Casado é que a confiança deve ser tratada como uma “autêntica infraestrutura invisível” das economias. Na prática, isso significa um ambiente de negócios que oferece segurança jurídica, facilita relações comerciais e permite o desenvolvimento de projetos complexos. A materialização dessa infraestrutura, segundo ele, depende de três pilares: integridade, transparência e boa governança corporativa.
A visão ressoa com as preocupações de investidores internacionais, que frequentemente precificam o chamado “risco-país” da América Latina com base na estabilidade institucional e na previsibilidade regulatória. Ao enquadrar a confiança como um ativo econômico, o CEIB tenta mover o debate de uma esfera puramente ética para uma discussão pragmática sobre competitividade e atração de capital.
Dos acordos à execução
O discurso não acontece no vácuo. Casado destacou que a Ibero-América já possui cerca de 200 instrumentos comerciais, entre acordos bilaterais e regionais, dos quais 50 envolvem a América Central. A provocação implícita é que esses arcabouços legais, embora necessários, não são suficientes. A confiança é o lubrificante que permite que as engrenagens desses acordos funcionem de fato, reduzindo custos de transação e mitigando disputas.
A agenda de Casado na Guatemala, que incluiu reuniões com o vice-ministro de Relações Exteriores e com as principais associações empresariais do país, como a CACIF, sinaliza o esforço de traduzir o conceito em ações. Na pauta, estavam a articulação de iniciativas público-privadas e a criação de fóruns permanentes para pequenas e médias empresas, indicando um movimento para solidificar essa “infraestrutura invisível” a partir da base.
O desafio, agora, é transformar a retórica em compromissos palpáveis. A próxima cúpula em Madri será o palco para verificar se os governos e o setor privado da região estão dispostos a investir na construção desse ativo estratégico, que não aparece nos balanços, mas define o futuro dos negócios.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





