Uma análise dos fluxos de comércio projetados para 2025 pela Organização Mundial do Comércio (OMC) desenha um mapa claro da divisão do trabalho global. A Ásia se consolida como a potência indiscutível no comércio de bens, enquanto a Europa e os Estados Unidos lideram com folga o setor de serviços. A China e os EUA surgem como os dois polos dominantes, mas em arenas distintas.
Os dados, compilados pelo Visual Capitalist, mostram que o comércio de bens (US$ 52,9 trilhões) ainda supera em muito o de serviços (US$ 18,4 trilhões) em volume total. A leitura, contudo, está na especialização: a geografia da manufatura e a geografia do conhecimento seguem trajetórias cada vez mais distintas, com implicações diretas para economias que, como o Brasil, buscam seu espaço.
Manufatura asiática, cérebro ocidental
No tabuleiro dos bens, a Ásia responde por US$ 21,6 trilhões, mais do que qualquer outro continente. A China, sozinha, movimenta US$ 6,35 trilhões, firmando-se como a maior economia comerciante de produtos do mundo. É seguida pelos Estados Unidos, com US$ 5,69 trilhões. O domínio asiático é reforçado por Japão, Coreia do Sul e outros tigres, refletindo sua posição central nas cadeias de suprimentos globais.
O cenário se inverte no setor de serviços. A Europa lidera como bloco, com US$ 8,8 trilhões, mas os EUA são a maior nação individual, com US$ 2,15 trilhões. O Reino Unido (US$ 1,17 trilhão) e a Irlanda (US$ 1,10 trilhão) demonstram a força de hubs financeiros e tecnológicos, atraindo sedes de multinacionais e concentrando transações de alto valor agregado.
Onde fica o Brasil
Neste mapa, a posição do Brasil é modesta. O país aparece na 26ª posição tanto no ranking de bens (US$ 640 bilhões) quanto no de serviços (US$ 160 bilhões). A comparação com pares regionais acende um alerta: o México, por exemplo, figura como a 10ª maior potência no comércio de bens, com US$ 1,35 trilhão, mais que o dobro do volume brasileiro, evidenciando uma integração muito mais profunda às cadeias produtivas norte-americanas.
Os números sugerem que o Brasil ainda não se consolidou como um player relevante nem no jogo de volume da manufatura global, nem na arena de alto valor dos serviços. Enquanto o comércio de bens representa quase quatro vezes o de serviços para o país, ambos os valores são pequenos em escala global. A questão estratégica que se impõe é sobre qual dos dois tabuleiros o país pretende — e pode — competir de forma mais eficaz.
O cenário de 2025 não é um destino final, mas um retrato de tendências consolidadas. A crescente importância do setor de serviços e a forte concentração geográfica da produção industrial exigem um posicionamento claro das nações que buscam ampliar sua participação no comércio internacional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





