Numa antiga fábrica vitoriana em Covent Garden, o aço inoxidável domina as primeiras impressões. As mesas e as pernas das cadeiras refletem a luz com uma precisão fria, um eco inconfundível do passado industrial de Londres. Mas sobre essas superfícies repousa uma delicada renda artesanal, e o balcão principal não é de metal ou concreto, mas de uma pedra calcária porosa, de cor mel. Este é o Zylia, um restaurante que não tenta recriar o Chipre na Inglaterra, mas sim evocar sua memória através de um diálogo de texturas e contrastes.

O projeto, do estúdio de arquitetura Red Deer, é um exercício de contenção e sensibilidade. A ambição, segundo o diretor-fundador Lionel Real de Azúa em entrevista à Dezeen, nunca foi a imitação. A ideia era permitir que "materiais, texturas e referências do Chipre habitassem um edifício inconfundivelmente industrial de Londres". O resultado é uma tensão deliberada. A pedra Gerolakkos, ou pouropetra, foi extraída e enviada diretamente da ilha, trazendo seu calor e sua história geológica para se contrapor ao aço. Da mesma forma, a tradicional renda Lefkara, feita à mão, surge como uma "intervenção doméstica inesperada", suavizando a rigidez industrial com um toque de humanidade e delicadeza.

A luz e a cor da memória

A atmosfera do Zylia é construída tanto pela luz quanto pelo toque. Sobre o salão principal, pairam enormes cúpulas de tecido trançado. São reinterpretações contemporâneas dos cestos tradicionais cipriotas, ampliadas a uma escala arquitetônica. Em colaboração com o estúdio Atelier Lighting, os designers criaram peças que, embora imponentes, retêm a intimidade do artesanato doméstico, difundindo uma luz quente e acolhedora pelo ambiente.

A paleta de cores segue a mesma lógica evocativa. Os tons de verde-oliva nos estofados e almofadas não são vibrantes ou da moda; foram inspirados nas persianas de madeira envelhecidas de Nicósia, "sua tinta suavemente desbotada sob décadas de luz do sol mediterrâneo". Complementados pelo ocre da pedra, os tons criam um ambiente que se sente "desgastado pelo sol em vez de deorativo", como define Azúa. O Zylia não é uma fotografia do Chipre, mas um sussurro de sua essência, contado através de fragmentos de matéria e luz.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen