A recente exposição na Gallery 2112, durante o festival 3daysofdesign em Copenhague, revelou uma nova fronteira na intersecção entre moda e design de interiores. A-POC ABLE ISSEY MIYAKE, em parceria com o estúdio suíço atelier oï, apresentou expansões da 'O Series', uma linha de iluminação portátil que redefine a aplicação de tecidos em objetos de uso cotidiano. Segundo a marca, o projeto utiliza a tecnologia Steam Stretch para criar estruturas tridimensionais a partir de uma única peça de tecido, evidenciando a versatilidade de processos originalmente concebidos para o vestuário.
A evolução do conceito A-POC
O projeto, batizado de TYPE-XIII, baseia-se na exploração de dois elementos fundamentais: fio e tecido. Essa investigação remete ao conceito 'A Piece Of Cloth', introduzido por Issey Miyake em 1998, que buscava simplificar a produção de vestuário através de uma continuidade material. Ao aplicar essa filosofia ao design de luminárias, a marca remove a fronteira entre a engenharia de moda e a funcionalidade doméstica, tratando a luz não apenas como utilidade, mas como uma extensão da pesquisa têxtil.
Mecanismos de transformação material
O diferencial técnico reside no processo de Steam Stretch, onde áreas específicas do tecido são submetidas ao calor para contrair e formar pregas volumétricas. Essas estruturas são então montadas sobre molduras de arame oval, permitindo que a cúpula da luminária seja removível e adaptável. Em colaboração com a fabricante japonesa Ambientec, o design integra tecnologia de iluminação ajustável, permitindo que a peça transite entre diferentes atmosferas, desde tons quentes até luz do dia, reforçando o caráter multifuncional do objeto.
Tensões entre design e escala
A transição de escalas, saindo do corpo humano para o ambiente, revela uma tendência crescente de marcas de moda expandindo sua atuação para o lifestyle. Para stakeholders do setor de design, o projeto destaca como a pesquisa de materiais pode ditar a forma final do produto, independentemente da categoria em que ele se insere. A adaptabilidade das luminárias, com tecidos que remetem a texturas de madeira e pedra, oferece um contraponto à estética industrial, aproximando a tecnologia de uma linguagem orgânica e escultural.
O futuro da materialidade funcional
O que permanece em aberto é a escalabilidade desse modelo de produção para outros segmentos do mobiliário. A capacidade de intercambiar cúpulas e reconfigurar o objeto sugere um caminho para produtos mais duráveis e customizáveis. Observar como outras marcas de moda adotarão essas técnicas de engenharia têxtil em itens de casa será o próximo passo para entender se essa fusão de disciplinas se tornará um padrão de mercado ou permanecerá como um exercício de vanguarda.
A fusão entre a precisão técnica da engenharia têxtil e a fluidez do design de iluminação sugere que a fronteira entre as artes aplicadas está cada vez mais porosa, transformando a casa em um laboratório de inovação material. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Designboom





