A busca por atalhos para otimizar a performance e a dieta parece ter encontrado um novo alvo: a xícara de café. A tendência, apelidada de “proffee” nas redes sociais, consiste em adicionar uma dose de proteína em pó ou um shake proteico pronto à bebida matinal. A promessa é de uma solução dupla: a cafeína para energia e a proteína para a construção muscular.
O apelo é evidente, especialmente para atletas com rotinas intensas. Contudo, a questão que se impõe é se a prática representa uma estratégia nutricional sólida ou apenas mais um capítulo na obsessão por “proteinificar” todos os alimentos. Segundo uma reportagem da publicação americana Outside Online, que consultou a nutricionista esportiva Amy Stephens, a resposta é mais complexa do que parece.
Mais não é sempre melhor
Enquanto um adulto médio necessita de cerca de 0,8 gramas de proteína por quilo de peso corporal, atletas em treinamento intenso podem precisar de até 1,7 gramas. Nesse cenário, uma dose de 10 a 30 gramas de proteína via café parece um ganho de eficiência. Stephens, no entanto, pondera que o “proffee” pode ser útil como um lanche, mas não deve substituir uma refeição balanceada. Fontes de proteína de alimentos integrais — como ovos e laticínios — oferecem vitaminas, minerais e fibras que as alternativas processadas geralmente não contêm.
Além disso, a composição dos suplementos exige atenção. Muitos pós proteicos contêm álcoois de açúcar e adoçantes artificiais, como eritritol ou sorbitol, que podem causar desconforto gastrointestinal e até efeito laxativo em algumas pessoas. O foco excessivo em um único macronutriente, alerta a especialista, pode dificultar o cumprimento de outras necessidades nutricionais essenciais para a performance, como carboidratos e gorduras saudáveis.
Timing é tudo: pré ou pós-treino?
Apesar da fama como bebida pré-treino, o consumo do “proffee” antes do exercício pode ser contraproducente. A cafeína, por si só, já estimula o trato digestivo. Combinada com a proteína, que tem uma digestão mais lenta em comparação com carboidratos, a mistura aumenta o risco de inchaço, náusea e desconforto gástrico. Para um atleta, isso pode transformar um impulso de energia bem-intencionado em um problema digestivo no meio do treino.
A recomendação de Stephens é inverter a lógica: consumir o “proffee” como uma ferramenta de recuperação, após a sessão de exercícios. Ingerir proteína logo após a atividade física auxilia na reparação das fibras musculares. Mesmo nesse caso, a bebida não deve vir sozinha. A nutricionista sugere o acompanhamento de uma fonte de carboidratos, como uma banana ou uma fatia de pão, para repor as reservas de energia que foram gastas.
No fim, o “proffee” se revela menos um “hack” revolucionário e mais um complemento opcional. Para quem já mantém uma dieta equilibrada e rica em alimentos integrais, o café pode continuar sendo apenas café. A otimização da performance reside na dieta como um todo, não em uma única xícara modificada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Outside Online





