Uma recarga de 44 minutos, uma conta de US$ 418. O episódio, vivido por um motorista que alugou um Chevrolet Bolt no estado americano de Michigan, ilustra de forma contundente as dores de crescimento da infraestrutura para veículos elétricos. Com a bateria no fim, Stanley Kpenkann usou o aplicativo da rede EVgo para encontrar um carregador rápido, que o levou a uma concessionária Hyundai. A surpresa veio depois.
A conta, 31 vezes superior ao normal, não foi um erro de sistema, mas uma política de preço deliberada. Segundo reportagem do site The Drive, a concessionária aplicou uma tarifa de US$ 5 por quilowatt-hora somada a uma taxa de US$ 5 por minuto. O objetivo: desencorajar o uso do equipamento por motoristas que não fossem seus próprios clientes, para quem o carregador deveria ser reservado.
O 'público' que não é para o público
O caso expõe uma falha fundamental na experiência do usuário de VEs: a falta de transparência e padronização. O carregador estava listado em um mapa público através de um acordo de 'roaming' entre as redes EVgo e ChargePoint, criando uma expectativa de acesso e preço justos. No entanto, a concessionária o precificou de forma proibitiva como um 'filtro' para afastar o público geral, embora o motorista afirme não ter visto o preço antes de iniciar a sessão.
A estratégia, embora defensável do ponto de vista do negócio da concessionária, é péssima para o ecossistema. A solução correta seria configurar o carregador como privado nos aplicativos, e não criar uma armadilha de preços. Para efeito de comparação, o custo médio de um carregador rápido DC nos EUA é de US$ 0,53 por kWh. A tarifa aplicada foi quase dez vezes maior, antes mesmo da cobrança por minuto.
A EVgo acabou por reembolsar a maior parte do valor como um gesto de 'boa vontade', mas o problema estrutural permanece. Para que a adoção de veículos elétricos avance, a infraestrutura de recarga não pode ser um campo minado de exceções e custos ocultos. O incidente em Michigan é um alerta para mercados como o Brasil, onde a rede ainda se expande: sem regras claras e previsibilidade, a confiança do consumidor — o ativo mais importante para essa transição — fica em risco.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Drive





