A HM Revenue & Customs (HMRC), agência que funciona como a Receita Federal do Reino Unido, acaba de assinar três contratos que somam £657 milhões para desenvolvimento e suporte de software em plataformas de "low code". As empresas contratadas são a consultoria francesa Atos e as gigantes de serviços de tecnologia Cognizant e Coforge.
A notícia, reportada pelo The Register, lança um balde de água fria na narrativa de que a adoção de ferramentas de baixo código é, por si só, um caminho para a redução de custos. A promessa de democratizar o desenvolvimento de software, capacitando usuários de negócio, esbarra na realidade de uma implementação complexa e cara, especialmente no setor público.
A miragem da simplicidade
Os contratos revelam a natureza do desafio. A Atos receberá £78,2 milhões por "serviços de liderança", incluindo supervisão de programa, gestão de fornecedores e governança — um custo expressivo apenas para gerenciar a estratégia. Os pacotes maiores, de £360 milhões para a Cognizant e £219 milhões para a Coforge, cobrem a construção, configuração, DevOps e operação dos produtos.
As tecnologias envolvidas, como Pega, ServiceNow e a Power Platform da Microsoft, são de fato mais acessíveis na ponta. O que os contratos demonstram é que a simplificação da interface não elimina a necessidade de arquitetura robusta, integração com sistemas antigos e manutenção especializada. A complexidade não desaparece; ela apenas muda de lugar, do código para a gestão do ecossistema.
O peso do legado
O pano de fundo é o esforço contínuo da HMRC para modernizar uma das infraestruturas de TI mais complexas do Reino Unido. O National Audit Office, órgão de fiscalização de gastos do país, já havia criticado a agência pela lentidão e pelo custo crescente de seus projetos para substituir sistemas legados. Este movimento não é uma solução mágica, mas a mais recente tentativa de atacar um problema crônico.
Os próprios contratos fazem parte de uma estrutura de compras maior, a DALAS, cujo valor total pode chegar a bilhões de libras. O caso britânico serve como um estudo de caso para governos e grandes corporações. A adoção de novas tecnologias ágeis é sedutora, mas o verdadeiro custo não está na licença do software, e sim no trabalho pesado de desatar os nós dos sistemas que sustentam a operação.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register





