A associação de agricultores e pecuaristas da Rioja, ARAG-Asaja, solicitou formalmente ao Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação da Espanha que amplie o subsídio destinado ao diesel agrícola. O movimento busca mitigar o aumento dos custos de produção, diretamente impactados pela recente escalada dos preços do petróleo e por tensões geopolíticas, notadamente envolvendo o Irã, segundo reportagem da Forbes España.
O pleito não é trivial. Ele expõe a vulnerabilidade de um setor estratégico às flutuações do mercado de energia. Com a proximidade de períodos de alta atividade, como a colheita da uva (vendimia) e o plantio de cereais, a pressão sobre as margens de lucro se intensifica, colocando em xeque a viabilidade econômica de muitas explorações agrícolas.
O peso do combustível na estrutura de custos
No agronegócio moderno, o diesel não é um custo acessório, mas um insumo central. Ele alimenta a maquinaria pesada indispensável para a preparação do solo, aplicação de tratamentos, colheita e transporte da produção. Para a ARAG-Asaja, o encarecimento do combustível se soma a uma estrutura de custos já inflada por outros insumos, comprimindo perigosamente a rentabilidade do produtor.
A organização argumenta que a ajuda governamental precisa ser dinâmica e refletir a realidade do mercado. Um subsídio estático, definido meses antes, perde eficácia quando os preços disparam. A leitura é que, sem um suporte adequado, o aumento de custos será inevitavelmente absorvido pelas explorações, que já operam sob forte pressão financeira.
Um auxílio insuficiente?
O governo espanhol já havia implementado um auxílio de 20 centavos de euro por litro de diesel, inicialmente previsto até o final de junho e depois prorrogado até 30 de setembro com um aporte adicional de 65 milhões de euros. Contudo, a ARAG-Asaja considera a medida insuficiente diante da persistência da alta nos preços.
Para agravar o cenário, a associação aponta que muitos agricultores ainda não receberam os valores referentes à prorrogação, adicionando uma camada de incerteza burocrática à crise de custos. A demanda, portanto, é dupla: que o auxílio seja estendido enquanto durar a pressão sobre os preços e que os pagamentos sejam efetuados com celeridade.
A questão que se coloca para o governo espanhol é o equilíbrio entre a responsabilidade fiscal e a necessidade de proteger um setor vital da sua economia. A decisão de ampliar ou não o subsídio determinará se os agricultores conseguirão atravessar o atual ciclo de alta de custos ou se a pressão será repassada adiante na cadeia produtiva.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





