A vitória da Espanha sobre a Argentina na final da Copa do Mundo, em Nova York, não adicionou apenas uma segunda estrela ao escudo da seleção. O título acionou uma complexa e lucrativa cadeia de valor que começa na FIFA e se estende até o último bar que transmitiu a partida. A análise dos números revela a dimensão do futebol como negócio.

Segundo reportagem da Forbes España, o impacto financeiro imediato é substancial. Contudo, o prêmio em dinheiro é apenas a ponta do iceberg. A verdadeira história está na distribuição desses recursos e nos efeitos multiplicadores que um evento dessa magnitude gera para clubes, patrocinadores e para a economia do país como um todo.

A cascata do prêmio

O principal beneficiário direto é a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF). A entidade receberá um prêmio de US$ 50 milhões da FIFA, somado a US$ 2,5 milhões destinados à preparação para o torneio, totalizando US$ 52,5 milhões. Desse montante, uma fatia de 45% (cerca de US$ 22,5 milhões) foi acordada para ser distribuída entre os jogadores e a comissão técnica.

Os clubes que cederam atletas para a competição também faturam. O Programa de Ayudas a Clubes da FIFA, que distribuirá US$ 355 milhões, deve alocar mais de US$ 7 milhões às equipes espanholas, com o Barcelona sendo um dos mais beneficiados. Além do dinheiro direto, a valorização dos atletas no mercado de transferências é um ativo intangível de grande valor.

O efeito multiplicador

Fora do campo, o título funciona como um poderoso catalisador de negócios. A vitória reforça o valor dos mais de 30 patrocinadores da seleção, que incluem gigantes como Adidas, Google Gemini e Movistar. A camisa com a segunda estrela se torna um produto de desejo imediato, impulsionando vendas de merchandising e licenciamento. O alcance midiático, com a final atingindo 15,7 milhões de espectadores e 87% de share na Espanha, valida o investimento publicitário.

O impacto se espalha pela economia real. A associação de hotelaria espanhola estimou um consumo adicional de € 130 milhões apenas na final, com um aumento de até 30% no faturamento dos estabelecimentos que exibiram os jogos. A longo prazo, a conquista fortalece a "Marca Espanha" no cenário global, um ativo estratégico importante, especialmente às vésperas do país co-sediar a Copa do Mundo de 2030.

Curiosamente, em meio à euforia econômica gerada pelo futebol, a bolsa de valores parece ter sido a única a não participar da celebração, contida por um cenário geopolítico mais amplo. Um lembrete de que, por maior que seja a paixão, o esporte ainda joga dentro das quatro linhas da economia global.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España