A ambição russa de construir uma alternativa à constelação de satélites Starlink, da SpaceX, parece estar enfrentando turbulências logo na decolagem. O programa Rassvet, operado pela empresa Bureau 1440, já colocou 32 satélites em órbita este ano, mas a operação está longe do sucesso esperado.
Segundo reportagem do Ars Technica, os problemas são graves: pelo menos três dos satélites já falharam completamente e, mais crítico, nenhum dos 32 conseguiu atingir sua altitude operacional. A falha expõe a enorme distância entre o plano estratégico e a capacidade de execução, um desafio central na nova corrida espacial definida por infraestrutura, não apenas por feitos isolados.
Órbita Baixa, Ambição Alta
O plano original previa que os satélites, lançados em uma órbita baixa, usassem seus próprios motores de plasma para subir até a altitude designada de 800 quilômetros. Isso não aconteceu. A falha em executar uma manobra orbital tão fundamental sugere problemas sérios de propulsão ou de sistemas de controle, colocando em dúvida a viabilidade do design dos satélites.
Para um projeto que almeja ter cerca de 300 unidades operacionais até o fim do próximo ano e mais de 900 até 2035, uma taxa de falha inicial de quase 10% é um sinal alarmante. A escala é o jogo que a SpaceX domina, e cada falha no início da jornada russa torna a meta de competir uma tarefa ainda mais hercúlea.
Infraestrutura Estratégica
O Rassvet não é um projeto de prestígio; é uma peça de infraestrutura estratégica. Com a guerra na Ucrânia demonstrando a importância crítica de comunicações resilientes via satélite — um papel que a Starlink cumpriu com eficácia —, a Rússia tem um imperativo de segurança nacional para desenvolver sua própria capacidade soberana.
A dificuldade em colocar o Rassvet em operação revela um gap tecnológico e industrial. A nova corrida espacial não é sobre quem chega primeiro à Lua, mas sobre quem constrói e mantém as 'rodovias' da economia orbital. Os tropeços iniciais do programa russo são um sintoma de que, nesta arena, a propaganda não move satélites.
Embora seja cedo para decretar o fracasso do Rassvet, os desafios são evidentes. A capacidade do Bureau 1440 de corrigir o curso e demonstrar confiabilidade nos próximos lançamentos será o verdadeiro termômetro de sua viabilidade. Por enquanto, a 'Starlink russa' permanece presa em uma órbita muito mais baixa do que a planejada — tanto no espaço quanto na competição.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Ars Technica





