O veredito do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) de 2025 é demolidor para a Espanha. Segundo reportagem do site Xataka, o país registrou uma queda histórica no desempenho de seus alunos de 15 e 16 anos, ficando abaixo da média da OCDE em matemática, ciências e, de forma mais alarmante, em leitura.

A erosão da capacidade de leitura é o sinal vermelho mais preocupante. A pontuação dos estudantes espanhóis na disciplina caiu 23 pontos desde a última avaliação e acumula um tombo de 45 pontos desde 2015. Para a OCDE, uma variação de 20 pontos equivale a aproximadamente um ano letivo. A conta é simples e assustadora: a Geração Z espanhola perdeu mais de dois anos de aprendizado em leitura em menos de uma década.

Atenção em colapso

A pergunta central que o relatório deixa no ar é: por quê? Os próprios técnicos da OCDE, embora com cautela, sugerem uma resposta. O declínio parece estar ligado à “capacidade ou disposição do alunado para manter uma atenção concentrada em tarefas exigentes”, especialmente em textos longos. A análise aponta para uma geração que cresceu imersa em smartphones e na lógica de conteúdo rápido das redes sociais.

Não se trata de culpar a tecnologia de forma simplista, mas de reconhecer um novo contexto cognitivo. A pandemia de Covid-19, que forçou a digitalização abrupta do ensino, e a crescente diversidade nas salas de aula são outros fatores que complexificam o cenário. O desafio pedagógico, portanto, tornou-se exponencialmente maior: como ensinar profundidade em um mundo que privilegia a superfície?

O novo analfabetismo funcional

As consequências desse colapso são sistêmicas. A compreensão leitora é uma competência transversal, fundamental para o bom desempenho em todas as outras áreas do conhecimento. Quando a base ruí, todo o edifício educacional fica comprometido. Os dados do PISA mostram que apenas 2% dos alunos espanhóis atingem o nível mais alto de leitura, capaz de “compreender textos extensos, abordar conceitos abstratos e diferenciar fatos de opiniões”.

Este número é o retrato de um risco iminente: a formação de uma geração com um novo tipo de analfabetismo funcional. Indivíduos que sabem decodificar palavras, mas são incapazes de interpretar criticamente um argumento complexo, um contrato ou uma notícia. Para uma democracia e uma economia que dependem de cidadãos e profissionais com pensamento crítico, o alerta não poderia ser mais grave.

O caso espanhol é um estudo de caso para o qual o mundo, incluindo o Brasil, deveria olhar com máxima atenção. O que está em jogo não é apenas uma nota em um ranking internacional, mas a própria capacidade das futuras gerações de navegar e construir um mundo cada vez mais complexo. A pergunta que fica é se os sistemas educacionais conseguirão se adaptar antes que a superficialidade se torne a norma definitiva.

Source · Xataka