O otimismo durou pouco. Após três dias de uma trégua frágil, os preços do petróleo voltaram a disparar nesta quarta-feira (29), com a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência internacional, saltou quase 6%, para a casa dos US$ 87, enquanto o WTI americano avançou mais de 6,6%, superando os US$ 84.
A escalada súbita enterra as esperanças de um avanço nas negociações de paz e recoloca a geopolítica como o principal vetor de preços no mercado de energia. A tese central é clara: o risco de uma interrupção no fornecimento, antes visto como contido, agora é real e imediato, com consequências diretas para a inflação global.
Estreitos sob tensão
A volatilidade foi alimentada por uma série de eventos cinéticos. Segundo reportagem do Money Times, os EUA e a Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque. Em paralelo, Teerã não apenas rejeitou uma proposta de Omã para administrar conjuntamente o Estreito de Ormuz, como afirmou ter disparado contra navios na região, um dos corredores mais vitais para o escoamento de petróleo no mundo.
O cenário de risco se agrava com a abertura de uma segunda frente. Militantes houthis, do Iêmen, dispararam mísseis contra um petroleiro saudita no Estreito de Bab el-Madeb, efetivamente aplicando um bloqueio marítimo. Com os dois principais "chokepoints" da região sob ameaça, a incerteza sobre o fluxo da commodity atinge seu nível mais alto em meses, e o mercado reage na mesma proporção.
A fala do presidente americano Donald Trump, prometendo retaliação dura em entrevista, apenas adiciona combustível à crise. O mercado, que havia precificado uma desescalada, agora corre para se reajustar a uma realidade onde a volatilidade é a nova norma. A questão não é mais se haverá impacto na oferta, mas qual será sua magnitude e duração.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





