O setor de distribuição na Espanha está a sofrer um impacto financeiro significativo devido ao absentismo laboral, com um custo estimado de €240 milhões anuais para as empresas associadas à Anged, que inclui gigantes como El Corte Inglés, Carrefour, Ikea e Leroy Merlin. Além do prejuízo monetário, o setor perde aproximadamente 12,6 milhões de horas trabalhadas, o equivalente a cerca de 7.113 empregos a tempo inteiro. O relatório ‘Absentismo en retail y gran distribución’, elaborado pela Anged em parceria com o The Adecco Group Institute, revela que este sobrecusto representa 21% do investimento total anual das empresas no setor.

Um Problema Estrutural e Presencial

Matilde García Duarte, presidente da Anged, descreveu os dados como "absolutamente dramáticos", sublinhando que o absentismo deixou de ser um problema conjuntural para se tornar "estrutural" na Espanha, com um impacto particularmente acentuado na distribuição. A natureza presencial do trabalho neste setor torna-o mais vulnerável às ausências de funcionários, afetando diretamente o planeamento de turnos, o atendimento ao cliente, a logística e a continuidade dos serviços. O aumento do absentismo tem sido uma tendência consistente nos últimos anos, com 81,8% das empresas a reportarem um aumento nos últimos três anos, elevando a taxa para cerca de 8%, acima da média nacional de 7,6%.

Causas e Mecanismos do Absentismo

O relatório detalha que as contingências comuns — ausências não relacionadas com acidentes de trabalho ou doenças profissionais — representam cerca de 75% das horas não trabalhadas e cresceram 60% desde 2018 na grande distribuição. Enquanto as baixas por contingências profissionais são baixas (1%), as ligadas à saúde mental têm duplicado nos últimos anos, representando agora 20% do total das ausências. Para lidar com estas ausências, as empresas recorrem frequentemente a contratação temporária (81,8%) ou à reorganização de equipas (72,7%), sendo que muitas baixas acabam por não ser cobertas devido à dificuldade de antecipar a sua duração. Fatores como a conciliação laboral e pessoal, problemas de saúde leve, o efeito "segunda-feira" e pontes, e outras causas de difícil justificação, identificadas por 80% das empresas, também contribuem para o problema.

Propostas e Implicações para o Setor

A Anged propõe um reforço na colaboração público-privada na área da saúde. A ideia é melhorar a prevenção e a gestão das incapacidades temporárias, permitindo que as mutuas de trabalho adiantem provas e tratamentos que o sistema público não consegue cobrir e que estas entidades possam conceder altas médicas em determinados casos. García Duarte defende que "não nos podemos permitir o luxo de desprezar nenhum recurso do sistema sanitário", pois isso seria benéfico tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. Adicionalmente, a patronal sugere a revisão dos complementos de incapacidade temporária em contingências comuns para ajustar os incentivos económicos e o avanço na digitalização dos processos de acompanhamento e alta médica.

Perguntas em Aberto para o Futuro

O absentismo laboral é um desafio multifacetado que exige uma abordagem integrada. Embora as empresas estejam a implementar planos de apoio psicológico e a focar-se na segurança no trabalho, a persistência do problema aponta para a necessidade de reformas estruturais mais profundas. A questão que se coloca é se as medidas propostas pela Anged, como a maior colaboração com as mutuas e a digitalização, serão suficientes para reverter a tendência de "dramático" absentismo. A adaptação das condições laborais ao envelhecimento das plantilhas e a eficácia de políticas de envelhecimento ativo também permanecem como pontos cruciais a observar.

O elevado custo do absentismo e a sua natureza estrutural na distribuição espanhola exigem respostas coordenadas entre o setor público e privado. A capacidade de implementar reformas eficazes determinará o futuro da produtividade e da sustentabilidade económica das empresas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España