A Petrobras acaba de eleger o Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), como seu novo corredor estratégico para exportação de coque de petróleo. A estatal firmou um contrato para movimentar até 600 mil toneladas anuais do subproduto através do Terminal Multicargas (T-Mult) do porto. A carga virá de quatro refinarias da região Sudeste, consolidando uma nova rota logística para a companhia.
Este é o primeiro acordo do tipo entre as duas empresas e vai além de uma simples otimização de rota. O movimento sinaliza uma aposta da Petrobras em infraestruturas privadas e mais eficientes para escoar sua produção, reforçando o posicionamento do Açu como um hub logístico fundamental para o setor de energia brasileiro. A parceria busca maximizar o valor de subprodutos com alto valor comercial em mercados internacionais.
Uma nova engrenagem logística
A decisão de centralizar o escoamento do coque de quatro refinarias (MG, RJ e SP) no Porto do Açu é um cálculo preciso. O terminal oferece uma alternativa moderna e de águas profundas, com capacidade para desafogar portos mais tradicionais. Para a Petrobras, isso se traduz em ganhos de escala e maior previsibilidade para atender a um mercado global dinâmico, especialmente o asiático.
O coque de petróleo não é um resíduo, mas uma commodity valiosa, usada como combustível industrial e na siderurgia. A criação de um corredor de exportação dedicado, como aponta a reportagem do Money Times, permite à estatal atender com mais agilidade clientes como a Sunstone, na China, e reforça sua competitividade global.
Além do coque, uma parceria estratégica
A relação entre Petrobras e Açu se aprofunda com este contrato. O porto já prestava serviços de descomissionamento de plataformas para a estatal, e este novo acordo solidifica a parceria. Para o Porto do Açu, comandado pelo CEO Eugenio Figueiredo, o contrato é uma validação de sua tese como um complexo multitarefa, capaz de movimentar de grãos a cargas de projeto.
O acordo inicial tem validade de um ano, com possibilidade de renovação por mais cinco. Essa estrutura modular permite que ambas as partes testem e aprimorem a operação antes de um compromisso de longo prazo. O sucesso desta rota pode abrir portas para que outros produtos da Petrobras sejam escoados pelo Açu, consolidando o porto como uma peça central no mapa de exportação de energia do Brasil.
No fim, a iniciativa é menos sobre um único produto e mais sobre a construção de uma cadeia de suprimentos mais ágil e resiliente. Embora o foco inicial seja o coque, uma parceria bem-sucedida no Açu pode servir de modelo para futuras reconfigurações logísticas da Petrobras, com impacto direto em sua competitividade no cenário global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





