Os contratos futuros de açúcar bruto se estabilizaram na bolsa ICE, consolidando-se após atingirem o pico de 16 meses na semana passada. O movimento de pausa, com o contrato fechando a 18,10 centavos de dólar por libra-peso, contrasta com o mercado de café arábica, que atingiu uma nova mínima de cinco semanas, pressionado por perspectivas de oferta.
A leitura do mercado é que as duas principais commodities agrícolas do Brasil vivem momentos distintos. Para o açúcar, a alta recente encontra um freio na fraca atividade do mercado físico, sugerindo uma digestão dos preços elevados em vez de uma confirmação da tendência. Para o café, a narrativa de uma grande safra futura no Brasil ganha força e derruba as cotações, mesmo com estoques certificados em mínimas históricas.
A tensão no açúcar
O mercado de açúcar opera sob um delicado equilíbrio de forças. De um lado, a corretora Deepcore aponta que os estoques atuais são abundantes, o que justificaria uma perspectiva de baixa nos níveis de preço atuais. A demanda física não parece acompanhar a euforia dos futuros, indicando que o rali pode ter sido excessivo no curto prazo.
Do outro lado, fatores estruturais e conjunturais sustentam os preços. O fenômeno climático El Niño é visto como um risco de alta até 2027, embora de “efeito lento”. Mais imediatamente, as chuvas no Brasil ameaçam atrapalhar a colheita da cana, e a alta do petróleo, próximo a US$ 100 o barril, incentiva as usinas a desviar cana para a produção de etanol, reduzindo a oferta de açúcar e dando suporte aos preços.
O peso da safra no café
No mercado de café arábica, a história é mais linear. A pressão vendedora vem da expectativa de uma grande safra no Brasil para o ciclo 2026/27, somada a boas condições climáticas para a fase de floração. O aumento de 45% nas exportações brasileiras em agosto, em comparação com o ano anterior, reforça essa percepção de oferta robusta no horizonte.
A narrativa de baixa, segundo operadores, parece ganhar tração. O contraponto, no entanto, não deve ser ignorado: os estoques de arábica certificados pela bolsa ICE atingiram a mínima de 26 anos. Isso cria uma tensão entre a disponibilidade imediata nos armazéns da bolsa, que é baixíssima, e a abundância esperada nos campos brasileiros no futuro.
Enquanto o açúcar se equilibra entre a oferta presente e os riscos futuros, o café parece já precificar uma colheita farta. As duas trajetórias mostram como os mercados de commodities são um exercício constante de ponderar o que está no armazém hoje contra o que o clima e o campo prometem para amanhã.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





