A fintech colombiana Addi anunciou a captação de US$ 85 milhões em uma rodada Série D, liderada pelo BTG Pactual e pelo fundo luxemburguês Citius. A operação contou com a participação de investidores de peso, como o fundo brasileiro Monashees e o Fundo Soberano de Singapura (GIC). Os novos recursos serão direcionados para a expansão da plataforma de crédito, o aprimoramento da infraestrutura tecnológica e o fortalecimento do portfólio de produtos voltado tanto para consumidores quanto para lojistas na Colômbia.
Este movimento marca uma etapa decisiva para a empresa, que recentemente obteve autorização da Superintendência Financeira da Colômbia para operar como instituição financeira regulada. A injeção de capital ocorre em um momento em que a companhia busca consolidar sua posição como a principal plataforma financeira e de comércio no país, reforçando sua trajetória de crescimento sustentado por inteligência artificial aplicada ao varejo.
O retorno ao foco regional
A trajetória da Addi oferece um estudo de caso sobre a importância da disciplina estratégica no setor de fintechs. Após uma tentativa de expansão internacional, a startup optou por encerrar suas operações no Brasil em junho de 2023. A decisão, tomada após pouco mais de dois anos de atuação no mercado brasileiro, foi motivada pela necessidade de concentrar esforços e recursos no mercado colombiano, onde a empresa já demonstrava maior tração e um caminho mais claro para a rentabilidade.
O mercado de buy now, pay later (BNPL) passou por ciclos de euforia e correção em toda a América Latina. Enquanto muitas empresas do setor enfrentaram dificuldades para equilibrar o crescimento acelerado com a qualidade do risco de crédito, a Addi buscou um modelo de negócio mais resiliente. A saída do Brasil, um mercado altamente competitivo e já saturado por soluções de pagamentos instantâneos como o Pix, permitiu que a fintech otimizasse sua estrutura operacional e focasse na execução de longo prazo em seu mercado de origem.
Mecanismos de crescimento e dívida
Para sustentar sua expansão, a Addi tem equilibrado rodadas de equity com captações de dívida estruturada. Em abril, a empresa fechou uma linha de US$ 150 milhões liderada pelo JPMorgan, marcando uma operação significativa de warehouse financing. Com essa estratégia, a fintech consegue financiar sua carteira de crédito sem diluir excessivamente o capital dos acionistas, um mecanismo essencial para empresas que operam com capital intensivo em mercados emergentes.
O interesse de investidores como o BTG Pactual sugere uma visão otimista sobre a digitalização do crédito na Colômbia. A capacidade da Addi de utilizar IA para análise de risco em escala é vista como um diferencial competitivo, permitindo a oferta de crédito de forma mais eficiente do que os modelos bancários tradicionais. Ao integrar o BTG Pactual não apenas como investidor, mas também como parceiro estratégico, a Addi ganha acesso a expertise bancária que pode acelerar sua transição para uma instituição financeira de espectro mais amplo.
Implicações para o ecossistema
A entrada de investidores como o GIC e o BTG Pactual sinaliza que, apesar da volatilidade macroeconômica global, o capital de risco ainda vê valor em plataformas que demonstram solidez operacional. A tese de que a Colômbia está vivendo uma transformação no acesso a crédito, comparável ao que ocorreu no Brasil na última década, atrai grandes players institucionais interessados em capturar o crescimento da classe média e a digitalização do varejo.
Para os competidores locais, a consolidação da Addi eleva a barra de exigência em termos de tecnologia e conformidade regulatória. A transição para uma entidade regulada coloca a fintech em um patamar de maior transparência, o que é fundamental para atrair novos parceiros comerciais e manter a confiança do mercado em um cenário onde a gestão de risco é o fator determinante para a sobrevivência a longo prazo.
O futuro da agenda financeira
As perguntas que permanecem giram em torno da escalabilidade do modelo de BNPL em um ambiente de taxas de juros variáveis e da capacidade da empresa em diversificar seu portfólio de produtos financeiros. A rentabilidade, alcançada segundo a empresa há dois anos, será testada à medida que a companhia expande sua base de produtos e enfrenta novos desafios de conformidade regulatória.
O mercado observará se a parceria estratégica com o BTG Pactual resultará em novos produtos financeiros integrados ou em uma expansão geográfica para outros países da região. A capacidade da Addi de manter sua agilidade tecnológica enquanto opera sob um arcabouço regulatório mais rígido definirá sua relevância futura no cenário latino-americano de serviços financeiros.
O movimento da Addi reflete a maturidade do ecossistema de fintechs na América Latina, onde a busca por eficiência operacional substituiu o crescimento desordenado. A empresa agora se posiciona como um player consolidado, pronto para testar os limites de sua infraestrutura em um mercado em constante transição.
Com reportagem de Brazil Valley
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