O VII Fórum UNAV para o Futuro do Turismo, realizado em Lucena (Córdoba), reforçou a tese de que a mera existência de patrimônio histórico, cultural ou paisagístico não é suficiente para garantir o sucesso turístico. A conclusão central do encontro, organizado pela União Nacional de Agências de Viagens (UNAV) em colaboração com Fetave e Femav, é que a transformação desses recursos em produtos turísticos viáveis e sustentáveis exige uma atuação estratégica e coordenada, onde as agências de viagens desempenham um papel crucial. Sob o lema ‘Del patrimonio al mercado: destinos, empresas y viajeros ante una nueva etapa’, o evento sublinhou a necessidade de desenhar experiências diferenciadas, que vão além do convencional e se alinhem às expectativas de um viajante cada vez mais em busca de autenticidade e imersão local.
O Elo Essencial na Cadeia de Valor Turístico
A discussão girou em torno da ideia de que o patrimônio, por si só, é um insumo, não um produto final. A complexidade reside em como empacotá-lo, comercializá-lo e torná-lo acessível de forma lucrativa e responsável. César Gutiérrez, presidente da UNAV-Fetave, defendeu que o desafio não é a quantidade de turistas, mas a gestão eficaz. Isso passa pela diversificação da oferta, combatendo a sazonalidade e promovendo uma distribuição mais equitativa dos fluxos turísticos. As agências de viagens, com seu conhecimento de mercado e capacidade de conexão com o consumidor final, são vistas como o elo indispensável para traduzir o potencial de um destino em pacotes turísticos concretos, integrados aos canais de comercialização e capazes de gerar valor econômico e social para as comunidades locais.
Experiências Autênticas e Tecnologia como Aliada
O fórum evidenciou uma mudança nas preferências dos viajantes, que agora buscam experiências mais profundas, ligadas à vida local e a espaços menos explorados. Para atender a essa demanda, é fundamental que os produtos turísticos incorporem todos os elementos essenciais: serviços, preços claros, disponibilidade, acessibilidade e condições de contratação. As agências têm a capacidade de padronizar processos para facilitar a comercialização, sem sacrificar a personalização que tanto valorizam os viajantes modernos. Além disso, a discussão sobre novas tecnologias, como a inteligência artificial e os espaços de dados compartilhados, apontou para seu potencial em melhorar a visibilidade dos destinos e otimizar a gestão da demanda. Contudo, a mensagem foi clara: a tecnologia deve ser uma ferramenta para aprimorar o conhecimento e a expertise das agências, não para substituí-los.
Desafios e Oportunidades para o Futuro
O evento também abordou os desafios estruturais do setor, como a sazonalidade, a atração e retenção de talentos e o necessário relevo profissional. A proposta para enfrentar essas questões passa pelo reforço da formação contínua e pela adaptação tecnológica dos profissionais, aliada a um foco maior no bem-estar laboral e na produtividade. A escolha de Lucena como sede do fórum serviu para destacar o potencial de cidades médias e destinos de interior, muitas vezes ofuscados pelo turismo de sol e praia, mas com vasta riqueza patrimonial a ser explorada. A colaboração entre administrações públicas, empresas e associações é vista como o motor para impulsionar projetos, promover destinos e coordenar investimentos, visando um modelo de gestão compartilhada que distribua os benefícios do turismo de forma mais ampla. As agências de viagens se posicionam, assim, como protagonistas na missão de converter o rico patrimônio espanhol em experiências turísticas significativas e sustentáveis.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España



