A Apex Partners, fundada em Vitória em 2013, consolidou-se como uma força relevante no mercado financeiro brasileiro ao descentralizar o acesso a capitais. Com R$ 19 bilhões sob gestão e advisory, a empresa de Fernando Cinelli abandonou teses iniciais de consolidação de franquias para focar na lacuna de crédito e investimentos em economias regionais. Segundo reportagem do Brazil Journal, a estratégia baseia-se em uma tese de longo prazo focada nas chamadas “onças brasileiras”, estados com crescimento acima da média nacional.

O modelo de negócio da Apex inverte a lógica tradicional da Faria Lima ao priorizar a construção de relacionamentos pessoais antes da transação financeira. A empresa atende clientes que possuem a maior parte do patrimônio concentrada no próprio negócio, oferecendo desde planejamento de sucessão até serviços de lifestyle. Essa abordagem reflete a necessidade de um público que deseja ver o desenvolvimento de suas cidades e estados, indo além da simples busca por rentabilidade em ativos financeiros distantes de sua realidade operacional.

A tese das onças brasileiras

A ascensão da Apex está intrinsecamente ligada à valorização econômica de estados como Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Goiás e os estados do Mato Grosso. Dados internos da gestora indicam que a participação desses estados no PIB brasileiro saltou de 34% em 2002 para 39% em 2023. Esse movimento revela um Brasil que frequentemente permanece fora do radar dos grandes players da Faria Lima, que muitas vezes carecem de capilaridade e conhecimento profundo sobre as dinâmicas regionais de crédito e equity.

Historicamente, o mercado de capitais brasileiro concentrou-se no eixo Rio-São Paulo, deixando empresas regionais com poucas alternativas de financiamento estruturado. A Apex identificou que, ao estruturar veículos privados para investir no equity dessas companhias, conseguia suprir uma demanda reprimida. O sucesso dessa tese reside na confiança, um ativo escasso que a gestora cultiva ao se posicionar como um parceiro que compreende as particularidades de cada setor regional, desde a indústria até o varejo.

O ecossistema de serviços integrados

Para sustentar o crescimento, a Apex adotou um modelo de plataforma integrada. Com a aquisição da Redoma, a empresa expandiu sua oferta para um multi-family office, entregando serviços que vão da assessoria jurídica à gestão de patrimônio pessoal. Essa integração permite que a gestora capture o cliente em diferentes fases de sua vida financeira e profissional, reforçando a fidelidade em um mercado onde a proximidade é um diferencial competitivo decisivo para a retenção de grandes fortunas.

O portfólio de investimentos em private equity, que inclui empresas como Wine, Mottu e a recente fatia de 14% na CVC, demonstra a disposição da Apex em atuar tanto em turnarounds complexos quanto em empresas em fase de expansão. A estratégia de comprar uma DTVM para se transformar em uma instituição financeira completa até 2030 sinaliza que a empresa pretende controlar toda a cadeia de valor, desde a originação da oportunidade até a distribuição e custódia dos ativos.

Conexões entre o regional e o global

A relação da Apex com a Faria Lima não é de confronto, mas de complementaridade. A gestora atua como um hub de originação para grandes investidores que buscam exposição ao interior do Brasil, mas não possuem a estrutura necessária para acessar esses mercados diretamente. Ao levar empresários regionais para eventos em centros financeiros globais como Nova York, a Apex legitima essas empresas e facilita o fluxo de capital, que antes era restrito a grandes corporações listadas.

Para o ecossistema brasileiro, o modelo da Apex aponta para uma tendência de descentralização do poder financeiro. À medida que mais estados ganham densidade econômica, a demanda por serviços sofisticados de gestão de patrimônio e estruturação de dívida fora das capitais financeiras tradicionais deve crescer. O desafio para a Apex será manter a qualidade do atendimento personalizado à medida que escala seu modelo para novos polos que alcancem a densidade de PIB almejada pela liderança.

O futuro da expansão geográfica

A ambição de ocupar todos os polos brasileiros com densidade de PIB superior a US$ 30 bilhões coloca a Apex em uma trajetória de crescimento acelerado. A capacidade de replicar o modelo de confiança e proximidade em regiões com culturas empresariais distintas será o teste definitivo para a gestão de Fernando Cinelli. A consolidação como instituição financeira integral é o próximo marco, mas a execução exigirá um equilíbrio constante entre tecnologia, talento local e a manutenção da cultura de parceria que deu origem ao negócio.

O mercado observará como a gestora lidará com a concorrência crescente de outros players que também despertaram para o potencial das economias regionais. A transição para uma estrutura de instituição financeira regulada trará novos desafios operacionais e de compliance, elementos que definirão a próxima década da empresa. O sucesso da Apex dependerá, em última análise, da sua capacidade de continuar sendo a ponte entre o capital global e a economia real das onças brasileiras.

Com reportagem de Brazil Journal

Source · Brasil Journal Tech