A espanhola Aqualia acaba de garantir um contrato de mais de €490 milhões para construir e operar uma Planta de Tratamento de Águas Residuais (PTAR) em Cajamarca, no Peru. A concessão, estruturada como uma parceria público-privada (PPP) com duração de 26 anos, foi patrocinada pela Proinversión, a agência estatal peruana de promoção de investimentos.
Este é o segundo grande projeto da companhia no país andino em pouco mais de um ano, consolidando uma tese de investimento focada em infraestrutura de saneamento na América Latina. O movimento sinaliza não apenas a expansão de capital europeu no setor, mas também a crescente aposta no modelo de concessões de longo prazo para resolver déficits históricos de serviços básicos na região.
Infraestrutura como ativo de longo prazo
O projeto em Cajamarca é emblemático. Ele prevê o desenho, financiamento, construção e a gestão de uma infraestrutura capaz de processar 592 litros de água por segundo, beneficiando diretamente cerca de 365 mil habitantes. O objetivo é eliminar o descarte de esgoto não tratado nos rios Mashcón e Cajamarquino, gerando impacto direto em saúde pública e proteção ambiental. Com esta nova adjudicação, o portfólio de investimentos da Aqualia no Peru se aproxima de €1 bilhão, posicionando a empresa como um parceiro estratégico para o governo local.
A estrutura de PPP é o veículo que viabiliza o negócio. Para o Peru, atrai expertise técnica e capital privado para um projeto de alta complexidade. Para a Aqualia, representa uma receita estável e previsível por mais de duas décadas, característica de ativos de infraestrutura. David Díez, diretor da Aqualia para a América Latina, afirmou que a empresa busca ser um "sócio de longo prazo para o Peru", reforçando a visão do saneamento não como uma obra pontual, mas como um serviço contínuo e um ativo de longa duração — um modelo que ecoa o que se vê no Brasil com players como Aegea e Iguá após o Marco do Saneamento.
O avanço da Aqualia no Peru ilustra uma tendência mais ampla de operadoras europeias buscando crescimento em mercados regulados da América Latina. O sucesso de concessões como esta servirá de termômetro para futuros projetos de infraestrutura na região, onde o déficit de saneamento ainda representa tanto um desafio social quanto uma oportunidade de investimento.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





