A disputa pelo Senado dos Estados Unidos no estado de Ohio ganhou um tempero sombrio e inesperado: os arquivos de Jeffrey Epstein. A relação do bilionário Les Wexner, figura proeminente no varejo americano e ex-cliente de Epstein, com o condenado agressor sexual tornou-se o centro de ataques políticos na acirrada corrida entre o senador democrata Sherrod Brown e seu desafiante republicano, Jon Husted. Wexner, com um histórico de doações generosas para ambos os lados em Ohio, está agora no meio da batalha eleitoral.

Conexões em Disputa

O candidato republicano Jon Husted recebeu cerca de US$ 116.000 em doações de Wexner entre 2001 e 2025. Embora represente uma fração do total arrecadado por Husted, a campanha do senador incumbente, Sherrod Brown, transformou essas contribuições em um ponto central de seus ataques. Anúncios de TV têm destacado que Husted recebeu mais dinheiro de Wexner do que qualquer outro político em Ohio.

O Jogo de Acusações

A campanha de Brown tem explorado uma doação de US$ 3.500 feita por Wexner a Husted em julho de 2025. Os democratas apontam que a doação ocorreu pouco antes de Husted, em sua capacidade como vice-governador, se manifestar publicamente contra um esforço para forçar a divulgação completa dos arquivos Epstein. Um dos anúncios de Brown chegou a caracterizar Wexner como um "cúmplice de Epstein", apesar de Wexner não ter sido acusado de nenhum crime e seu advogado afirmar que ele não era alvo de investigações.

Em resposta, a campanha de Husted contra-atacou, apontando doações recebidas por Brown de indivíduos cujos nomes surgiram nos documentos de Epstein, incluindo a esposa de Wexner, Abigail, o ex-secretário do Tesouro Larry Summers e o ex-CEO do Google Eric Schmidt. A campanha de Brown, no entanto, ressalta que o senador não aceitou doações do próprio Les Wexner.

A Transparência dos Arquivos

A polêmica ganhou mais força com a chegada de uma exposição itinerante dos arquivos do Departamento de Justiça sobre Epstein a Ohio. A mostra, organizada pelo Instituto for Primary Facts, visa pressionar políticos e candidatos a abordar o tema, exigindo justiça para as vítimas e responsabilização para os envolvidos. David Garrett, diretor executivo da organização, declarou que a exposição busca mostrar aos eleitos que o público demanda transparência e punição, independentemente do poder e riqueza dos perpetradores e seus facilitadores.

Implicações e Perguntas Abertas

A utilização dos arquivos Epstein como ferramenta eleitoral em Ohio não é um caso isolado; a questão tem reverberado em corridas eleitorais por todo o país. A disputa em Ohio, que pode ajudar a definir o equilíbrio de poder em Washington, ilustra a complexidade ética e política envolvida. Enquanto Husted alega ter doado as contribuições de Wexner para uma instituição de caridade contra o tráfico humano, a campanha de Brown é criticada por não ter retornado doações de outros indivíduos citados nos arquivos. A questão central permanece: até que ponto as conexões passadas de doadores influenciam a integridade e a transparência do processo político?

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company