O aroma de couro e grama recém-cortada paira no ar, mas o que realmente chama a atenção é a elegância tipográfica que emana das paredes do Design Museum em Londres. Ali, o Arsenal Football Club, um colosso de 140 anos, não celebra apenas sua história em campo, mas também sua evolução estética. A nova fonte batizada de Rocastle, uma variação moderna da tradicional blackletter, é a estrela do momento. Ela não é apenas um conjunto de letras; é um tributo vibrante a David Rocastle, o amado jogador também conhecido como Rocky, cuja trajetória inspirou o designer David Rudnick, fundador do estúdio terrain, a criar algo que transcende o esporte.

Rudnick, um fã confesso do clube, dedicou quatro anos à concepção de um universo tipográfico para o Arsenal. A Rocastle, em particular, é uma obra de arte que busca equilibrar o ousado e o sutil. Ela precisa ser distintiva e orgulhosa, funcionando como um pináculo glorioso da identidade do clube, ao mesmo tempo em que mantém a simplicidade e a legibilidade essenciais para uma tipografia moderna. A escolha da blackletter, com suas raízes históricas e um toque de cavalheirismo, foi intencional. Elementos como um peso inline e arabescos que remetem à fluidez de flâmulas ao vento conferem à Rocastle um ar decididamente inglês e contemporâneo, provando que o passado e o futuro podem coexistir harmoniosamente no design.

Esta nova tipografia se insere em uma estratégia mais ampla do Arsenal, que desde 2022 vem renovando sua identidade visual com três fontes distintas, cada uma representando um pilar: time, comunidade e cultura. A Rocastle personifica a "cultura", o ponto onde o futebol se encontra com a moda, a arte e a música. É uma fonte versátil, adequada tanto para um lançamento de moda quanto para uma exposição de design, evocando uma sensação de herança e modernidade. A pesquisa para o projeto foi meticulosa, reunindo centenas de memorabilia e espécimes tipográficos. A Rocastle, juntamente com um "A" em blackletter que agora é um dos logotipos primários do clube, bebe na fonte da inscrição "Victoria Concordia Crescit" (Vitória cresce através da harmonia) presente no antigo escudo VCC.

As outras duas fontes completam o panorama: Northbank, um sans-serif robusto e espesso lançado em 2022, que representa o "time" e aparece em nomes de jogadores e mensagens de incentivo, com uma versão superbold projetada para "gritar" mais alto que qualquer concorrente. Chapman, de 2023, é um sans-serif humanista para "comunidade", ideal para textos mais longos e reflexivos, como programas de jogos, capturando a essência dos dias fora de campo. A Rocastle, por sua vez, é a guardiã da "profunda história e do futuro distante" do clube, como afirma Rudnick. É uma declaração ousada de permanência, competindo não apenas em campo, mas no campo do design, afirmando que o Arsenal transcende as instituições e as gerações.

Embora alguns comentadores online tenham levantado questões sobre a legibilidade da Rocastle, é crucial entender seu propósito. Não se trata de uma fonte para textos densos, mas sim de um acento visual, uma ferramenta para momentos especiais e colaborações criativas. "Isso nos dá a liberdade de levar o clube adiante criativamente, mantendo-nos fiéis a quem somos", declarou Johnnie Campbell, líder do estúdio criativo do Arsenal. A estratégia multifonte do clube demonstra uma abordagem ponderada sobre como a tipografia pode dialogar com os fãs, indo muito além do dia da partida. A Rocastle, em particular, nos convida a questionar: como um símbolo estático pode carregar o peso de tantas histórias e aspirações, e qual o futuro que um clube de futebol pode desenhar para si mesmo através da pura forma das letras?

Source · Fast Company