A Art Basel Paris 2026 abriu suas portas com um ritmo frenético, onde galerias de renome apresentaram obras de alto valor, atraindo colecionadores dispostos a fazer negócios. O evento, que teve sua Avant-Première para VVIPs e a subsequente abertura para VIPs, foi descrito por um negociante como uma experiência de "beber de uma mangueira de incêndio", tamanha a intensidade e o volume de interesse. Apesar das manifestações que tomaram as ruas de Paris em protesto contra a infraestrutura educacional e a ausência de professores, a segurança foi reforçada, permitindo que a feira transcorresse sem maiores interrupções.

Dinamismo de Mercado em Meio à Tensão Social

A presença de obras de grande valor, como uma rara pintura de Amedeo Modigliani avaliada em mais de US$ 100 milhões, sinalizou a confiança dos negociantes na presença de colecionadores de ponta. "Esta tarde de abertura foi muito forte e os colecionadores vieram prontos para tomar decisões rapidamente", afirmou o negociante Thaddaeus Ropac. Ele ressaltou que, "apesar de quaisquer preocupações com as manifestações, algumas pessoas decidindo não viajar para Paris, já sentimos que é a feira de arte mais internacional do ano". O evento segue a linha de sucesso de feiras anteriores, como a Frieze e a Frieze Masters em Londres, onde galerias já haviam negociado peças de artistas como Fontana, Gauguin e Modigliani.

Vendas de Destaque e Artistas em Alta

A galeria Hauser & Wirth emergiu como destaque em termos de vendas, reportando negociações de obras de Gerhard Richter e Georg Baselitz, ambas datadas de 1965, na faixa de US$ 10 milhões. Obras como "Rokokotisch" (Rococo Table) de Richter e "Der Hirte" (O Pastor) de Baselitz exemplificam o alto valor atribuído a mestres da arte moderna e contemporânea. Outras transações significativas incluíram uma pintura de Gerhard Richter vendida pela David Zwirner por US$ 8,5 milhões, e duas obras de Julie Mehretu, "Rise of the New Suprematists" e "Mumbaphilia (J.E.)", comercializadas pela White Cube por US$ 7,9 milhões cada. A Pace vendeu a pintura "La chaise" de Jean Dubuffet por mais de US$ 5 milhões, enquanto a David Zwirner registrou vendas de pinturas de Robert Ryman por US$ 4 milhões e US$ 1,3 milhão.

Diversidade de Obras e Colecionadores Internacionais

O leque de vendas abrangeu uma vasta gama de artistas e estilos, confirmando a diversidade de interesses dos colecionadores. Hauser & Wirth também comercializou uma obra de Mark Bradford por US$ 4 milhões e uma pintura de Joan Mitchell de 1957 por US$ 3,8 milhões. Marlene Dumas e Josef Albers tiveram pinturas vendidas pela David Zwirner por US$ 3 milhões cada. George Condo, artista em evidência, teve "Woman with Designer Shirt" (2026) vendido pela Hauser & Wirth por US$ 2,95 milhões, e "The Mechanical Man" (2026) e "Coney Island" (2026) vendidos pela Sprüth Magers por US$ 2,2 milhões cada para coleções americanas e europeias, respectivamente. A feira também registrou vendas de obras de Wassily Kandinsky, On Kawara, Lee Ufan, El Anatsui, Lucio Fontana, Cecily Brown, Philip Guston, Victor Man, Tracey Emin e Ruth Asawa, com valores variando de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões, demonstrando a amplitude do mercado em diferentes faixas de preço.

Perspectivas e Perguntas em Aberto

A Art Basel Paris 2026 reafirma sua posição como um evento crucial para o mercado de arte global, mesmo em um contexto de instabilidade social. A capacidade de atrair colecionadores de diversas partes do mundo e a venda de obras de alto valor em meio a protestos indicam uma resiliência notável. No entanto, a questão que permanece é como o mercado de arte continuará a navegar pelas complexidades geopolíticas e sociais que podem impactar a participação e o comportamento dos compradores em eventos futuros. A capacidade de manter o dinamismo e a atratividade internacional em face de adversidades externas será um fator determinante para o sucesso contínuo de feiras como esta.

A feira de arte em Paris demonstrou mais uma vez a força do mercado de arte de luxo, com galerias reportando vendas robustas e a presença de colecionadores ávidos por adquirir peças de renome. A diversidade de obras vendidas e a faixa de preços alcançadas sublinham a saúde e a amplitude do setor, mesmo diante de desafios externos. A capacidade de adaptação e a atratividade intrínseca das obras de arte parecem ser os pilares que sustentam este mercado vibrante. Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews