A Fundação Dayton Literary Peace Prize, que celebra o poder da literatura como ferramenta para a paz, anunciou os vencedores de sua edição de 2026, para livros publicados em 2025. Na categoria de ficção, o prêmio foi para "The Sunflower Boys", de Sam Wachman. Em não-ficção, o vencedor foi Kevin Sack com "Mother Emanuel: Two Centuries of Race, Resistance, and Forgiveness in One Charleston Church".

Os vencedores recebem um prêmio de US$ 10 mil cada, enquanto os segundos colocados, Charlotte McConaghy e Eve L. Ewing, recebem US$ 5 mil. Segundo o site especializado Lit Hub, a premiação reforça uma tese central: a de que a escrita pode e deve ser um vetor para o entendimento e a reconciliação. A seleção deste ano, com foco em narrativas sobre raça e resistência na história americana, sublinha essa missão.

A literatura como reparação

Mais do que um simples reconhecimento literário, o prêmio Dayton se posiciona como um curador de ideias. A escolha de "Mother Emanuel", que narra a história de uma igreja em Charleston marcada pela violência racial e pela resiliência, e "Original Sins", que investiga o racismo na educação de crianças negras e nativas, aponta para uma preocupação com a reparação histórica através da narrativa. A literatura, nesse contexto, não é vista como entretenimento, mas como um registro essencial para a compreensão de feridas sociais.

A premiação transcende os livros do ano. A romancista Ann Patchett foi homenageada com o prêmio de distinta realização pelo conjunto de sua obra, que, segundo a fundação, reflete a missão de "promover a paz, a justiça social e o entendimento global". A escolha de Patchett sinaliza que o impacto de um autor é medido não apenas por um único trabalho, mas pela consistência de uma voz que contribui para o debate público.

Em um cenário global fragmentado, a aposta do Dayton na literatura como ponte para o diálogo parece cada vez mais relevante. O prêmio não oferece respostas, mas seleciona as histórias que podem ajudar a formular as perguntas certas, reforçando o papel do escritor como um agente na construção de um entendimento compartilhado.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Lit Hub