Três quartos dos assessores financeiros espanhóis acreditam que a inteligência artificial possui potencial para impulsionar os mercados globais nas próximas duas décadas. Segundo a 'Encuesta Global de Asesores Financieros 2026', realizada pela Natixis Investment Managers com 2.950 profissionais em 23 países, a tendência de investimento ligada à IA ainda apresenta um longo horizonte de maturação.
Apesar do otimismo, o levantamento aponta um alerta crítico: 46% dos especialistas advertem contra a tentativa de antecipar o mercado em torno de megatendências, citando o risco de custos elevados em movimentos especulativos. O estudo reforça que o comportamento emocional dos investidores diante de manchetes de tecnologia continua sendo um desafio central para a gestão de patrimônio.
A ambivalência entre inovação e cautela
A percepção dos assessores reflete um dilema estrutural. Enquanto reconhecem a IA como um vetor de crescimento, eles observam que 50% dos profissionais temem expectativas de rentabilidade irrealistas por parte da clientela. A volatilidade emocional é citada como o principal erro dos investidores, com 53% dos assessores apontando que reagir impulsivamente a notícias é um caminho perigoso.
Além disso, existe uma tensão clara sobre o uso de agentes autônomos. Cerca de 67% dos entrevistados na Espanha acreditam que investidores assumem riscos desnecessários ao delegar decisões para IAs. Diante disso, 82% dos profissionais reforçam a importância da responsabilidade fiduciária e da relação pessoal como o principal valor agregado que a tecnologia não consegue replicar integralmente.
A pressão da mudança geracional
O envelhecimento da base de clientes é visto como uma ameaça existencial por 61% dos assessores. No entanto, o mercado espanhol apresenta uma resiliência superior, com 35% da carteira composta por clientes abaixo de 45 anos. Isso força uma adaptação rápida: 49% dos escritórios já incorporam serviços especializados para esse perfil, como gestão de dívida estudantil e planejamento imobiliário.
A sucessão também é um ponto de atenção. Embora 54% prefiram sucessores internos, 47% admitem dificuldades em atrair jovens talentos. O setor enfrenta, portanto, um duplo desafio: modernizar a oferta digital para reter a nova geração e garantir a continuidade operacional em um momento de transição demográfica nas equipes.
O futuro do aconselhamento digital
A concorrência mudou de figura. Os assessores preveem que, em cinco anos, o principal rival não serão outros profissionais, mas as ferramentas de autogestão. Aproximadamente metade dos millennials prefere modelos digitais, forçando os consultores a repensar a entrega de valor além da execução de ordens.
Com 67% dos profissionais notando um aumento na inquietação dos clientes, a busca por liquidez cresceu, com 79% dos investidores querendo manter mais caixa. O cenário aponta para uma transição onde a tecnologia serve tanto como ferramenta de eficiência quanto como um desafio para a relevância do modelo tradicional de consultoria.
O setor de assessoria caminha para uma encruzilhada onde a tecnologia é inevitável, mas a confiança humana permanece como o ativo mais escasso. A capacidade de equilibrar a adoção de IA com a manutenção de uma relação fiduciária sólida definirá quais modelos de negócio sobreviverão à próxima década.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





