O otimismo do mercado financeiro com um ciclo mais agressivo de cortes na taxa Selic pode estar com os dias contados. A avaliação é de que a inflação, embora em trajetória de queda, ainda não atingiu um patamar confortável, e o cenário fiscal impõe um limite claro para a redução dos juros. A análise, feita por Thiago Salomão, fundador do Market Makers, foi reportada pelo Money Times.

A leitura é que, mesmo com a pressão política por juros mais baixos, a realidade econômica se impõe. O Banco Central, segundo Salomão, tem adotado uma postura correta ao se tornar mais dependente dos dados, mas o principal entrave para uma Selic substancialmente menor não está na política monetária em si, mas na condução da política econômica do governo.

O nó fiscal e a comunicação do BC

O principal obstáculo para a queda dos juros é o risco fiscal. Mesmo que a inflação corrente ceda, a incerteza sobre a sustentabilidade das contas públicas contamina as expectativas de longo prazo e exige um prêmio de risco maior — ou seja, juros mais altos. Fatores como a volatilidade nos preços de energia e petróleo somam-se à pressão, mas é a questão fiscal que define o teto para o alívio monetário.

Nesse contexto, a comunicação do Banco Central, que deixou em aberto os próximos passos e condicionou decisões futuras aos indicadores, é vista como acertada. A postura busca controlar as expectativas e resistir a ruídos políticos, como as declarações do presidente Lula defendendo juros menores. A recente decisão do JP Morgan de rebaixar a recomendação para ações brasileiras, citando um cenário de juros elevados por mais tempo, apenas corrobora essa percepção de que a conta fiscal está chegando ao mercado.

A questão de fundo, segundo a análise, é a sustentabilidade do modelo econômico atual. Salomão aponta que uma eventual reeleição do governo exigiria uma mudança na condução da economia para evitar um aprofundamento do risco fiscal. Sem essa correção de rota, o espaço para juros estruturalmente mais baixos no Brasil permanecerá limitado, independentemente do ocupante do Palácio do Planalto.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times