Os mercados globais operam em um delicado equilíbrio nesta terça-feira. Os preços do petróleo, que haviam disparado, reverteram os ganhos apesar da contínua incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz ao fluxo global. O barril do tipo Brent era negociado a US$ 87,61, enquanto o WTI americano ficava em US$ 82,19, segundo reportagem da Fortune.

Em Wall Street, o clima é de cautela, com os principais índices futuros operando com leve variação. A aparente calmaria, no entanto, esconde uma tensão dupla. De um lado, o risco geopolítico que ameaça a oferta de energia. De outro, a expectativa por dados macroeconômicos cruciais que irão ditar o custo do dinheiro nos Estados Unidos, com implicações para ativos de risco em todo o mundo.

O termômetro de Ormuz

A volatilidade do petróleo tem um epicentro claro: o impasse entre os Estados Unidos e o Irã. A demanda iraniana por compensações para reabrir a estratégica hidrovia foi rechaçada pelo governo americano, o que fez o preço do barril saltar mais de 5% no dia anterior. Como resultado, o petróleo oscilou em uma faixa ampla no último mês, entre US$ 72 e US$ 102.

A consequência é direta no bolso do consumidor e na cadeia produtiva. Nos EUA, o preço médio da gasolina já supera os US$ 4 por galão. Custos de transporte e produção mais altos tendem a ser repassados, alimentando a mesma inflação que o mercado financeiro tanto teme.

A ansiedade pelos dados

Enquanto o Oriente Médio dita o ritmo da energia, o foco de Wall Street está voltado para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de julho, na quarta-feira. A expectativa do mercado é de uma leve desaceleração na inflação, de 3,5% para 3,4%. Um número dentro ou abaixo do esperado aliviaria a pressão sobre o Federal Reserve para elevar novamente as taxas de juros.

Uma política monetária mais restritiva, desenhada para conter a inflação, encarece o crédito e desacelera a economia, impactando negativamente o preço das ações. O dado fraco de geração de empregos divulgado na semana passada já havia reforçado as apostas de que o Fed poderia adotar uma postura mais branda.

O mercado, portanto, navega entre um choque de oferta com gatilho geopolítico e a esperança de um alívio na frente macroeconômica. A direção dos ativos nas próximas semanas dependerá de qual dessas duas forças prevalecerá.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune