Aos 22 anos, em Nova York, a autora almejava ser uma "motivadora de bar mitzvah", uma profissão que descobriu fascinada pela energia e pela performance. A descrição do trabalho, "Dançarinos Extrovertidos e Atraentes para Eventos de Alto Padrão", atraiu-a em meio a uma vida de bicos como atriz. O processo seletivo era intenso, exigindo horas de dança e suor ao som de Pitbull, em um ambiente predominantemente feminino. As festas, realizadas em locais como Nova Jersey e Connecticut, demandavam que os dançarinos arcassem com os custos de transporte e trajes específicos, recebendo em troca gorjetas generosas e a oportunidade de roubar itens dos banheiros. Cada evento era descrito como uma "aula de fitness boutique, um casamento com esteroides e um rave de quatro horas para crianças". A autora amava a energia, a música e a adrenalina, mas, acima de tudo, amava ser vista. Naquele palco, sentia-se desejada, uma sensação inédita em sua vida, mesmo que a envergonhasse.

A Juventude como Moeda de Troca

O bar mitzvah, na tradição judaica, marca a transição da infância para a vida adulta. Os organizadores de festas contratavam dançarinos motivacionais não apenas para garantir que o evento fosse "animado" para os pais que pagavam, mas também para servir como ponte entre adolescentes e adultos. Nesse papel, a autora se via aprendendo danças do TikTok e clássicos do hip-hop dos anos 90, posicionando-se como alguém "velha o suficiente para as crianças acharem legal e jovem o suficiente para os adultos acharem que ainda poderiam ser". O chefe descrevia o objetivo como "fantasia", onde 80% do trabalho era "estar bonita" e o restante era fazer com que todos se sentissem capazes de "crescer e permanecer jovens para sempre". A autora se reconhecia nessa habilidade, entendendo o "segredo da jovem": que a moeda mais valiosa era a performance da juventude e da beleza. Ela confiava em seu corpo, acreditando que ele jamais a falharia.

O Corpo que Falha

Quando completou 25 anos, a autora sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A surpresa dos profissionais de saúde era palpável: "Mas você é tão jovem!". A causa foi uma dissecção da artéria vertebral, um rasgo que provocou um AVC isquêmico no cerebelo direito. Tudo começou durante uma caminhada com a família em um parque estadual, quando, ao tentar um novo exercício, sentiu o mundo inclinar-se para o lado. Uma dor intensa disparou pelo crânio, seguida de vômitos. Inicialmente, acreditou ser uma enxaqueca severa. Após idas e vindas a prontos-socorros e exames inconclusivos, a dor insuportável a levou de volta ao hospital, onde, cinco dias após os primeiros sintomas, finalmente recebeu o diagnóstico. A recuperação foi árdua, comparada a "envelhecer 60 anos em poucos dias". A autora precisou de auxílio para caminhar e se banhar, enfrentou quedas de visão, perda de cabelo e tremores incontroláveis, além de desenvolver fraturas por estresse nos pés devido a dificuldades motoras.

O Reino dos Doentes

A doença a empurrou para o "reino dos doentes", um contraste gritante com o "reino dos bem" que antes habitava. A neurologia anômala a impedia de compreender a gravidade do que acontecia. Sentada, quase conseguia manter a ilusão de ser quem era antes; ao tentar se levantar ou usar um garfo, a "fantasia" se desintegrava. A necessidade de gritar "Eu não estou bem!" e o medo de nunca mais ser a mesma pessoa a assombravam. Os efeitos colaterais dos esteroides causaram "rosto de lua", alterando a distribuição de gordura e conferindo-lhe bochechas de esquilo. A cada passo, a cada movimento, a raiva e a vergonha de seu corpo "desobediente" aumentavam. Apesar das constantes afirmações de "sortuda" e "milagre ambulante", a performer que exibia a facilidade de movimento sentia falta da clareza do universo do bar mitzvah. A sorte de estar viva era inegável, mas o desejo inicial era apenas "ser bonita novamente".

Reconstruindo o Valor

Cinco anos se passaram desde o AVC. Gradualmente, a autora reduziu a medicação, os tremores cessaram e o "rosto de lua" desapareceu. Aos poucos, retomou a prática de exercícios de coordenação e equilíbrio, reaprendendo a confiar em sua visão periférica. De volta a Nova York, sentiu-se como uma "cidadã alienígena em uma cidade estranha". As noites antes preenchidas por coreografias e adolescentes barulhentos agora eram de silêncio, observando o pôr do sol de seu terraço no Brooklyn. Começou a escrever, um caminho que a forçou a admitir que, no início da vida adulta, seu autovalor baseava-se no desejo de estranhos, não em sua inteligência ou resiliência. A "falha milagrosa" de seu corpo, única em sua dor, adquiriu significado. Ela tratara seu corpo como um instrumento para performar juventude e beleza; agora, seu corpo não significava mais apenas isso. Ao comer, dançar ou usar um traje de banho, ela se lembrava de que seu corpo tem valor intrínseco, além da percepção alheia, um valor em sua funcionalidade. É essa lição que ela gostaria de compartilhar com as jovens de 13 anos, mas não é mais uma "motivadora de bar mitzvah". O crescimento é uma narrativa assimétrica, sem fim. Saber que juventude e beleza são narradores não confiáveis a ajuda a não se punir pelas falhas do corpo, lembrando que seu propósito não é apenas ser um corpo, mas viver uma vida longa e saudável, cujo valor reside na sua especificidade e complexidade. Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Atlantic — Ideas