Andrejus Trofimovas, fundador e CEO do Aventus Group, construiu uma trajetória notável no setor financeiro. Em 2009, em meio à crise financeira global, ele optou por um caminho distinto do usual: crescer sem sacrificar a rentabilidade e sem a dependência de capital de risco. Dezessete anos depois, o grupo se expandiu para mais de 22 países, concedeu mais de 7 bilhões de euros em empréstimos e encerrou 2025 com um lucro líquido de 95,67 milhões de euros. Essa performance rendeu a Trofimovas o título de FinTech CEO do Ano na Europa em 2026. Atualmente, com a empresa se preparando para novos mercados e consolidando sua presença no setor imobiliário espanhol, o CEO reflete sobre as decisões estratégicas, a importância da disciplina financeira e os perigos que o próprio sucesso pode trazer.
O Aventus Group manteve-se lucrativo por 17 anos sem recorrer a capital de risco. Em um setor que por muito tempo priorizou a expansão acelerada em detrimento da rentabilidade, a decisão de Trofimovas foi contraintuitiva. "Houve períodos em que as empresas focadas em expansão rápida atraíam mais atenção do que aquelas que construíam negócios rentáveis", reconhece. No entanto, a crença fundamental sempre foi que o crescimento sustentável tem um valor intrínseco maior do que o crescimento a qualquer custo. A prioridade desde o início foi construir um negócio que gerasse valor econômico real, pudesse financiar seu próprio desenvolvimento e resistir às flutuações do mercado. Em vez de depender de financiamento externo contínuo, o grupo reinvestiu em operações, tecnologia, pessoas e novos mercados. A rentabilidade, para Trofimovas, não significa renunciar à ambição, mas sim possuir uma base financeira sólida para persegui-la de forma responsável.
O Legado da Crise de 2009
A fundação da Aventus Group em 2009, em plena crise financeira, moldou profundamente a compreensão de Trofimovas sobre risco e disciplina empresarial. "Começar um negócio em 2009 me ensinou que as condições do mercado nunca estão completamente sob nosso controle, mas nossas decisões, sim", afirma. A crise demonstrou a volatilidade do acesso ao capital, o comportamento mutável dos clientes e a fragilidade de modelos de negócio que pareciam robustos em tempos de bonança. Esse contexto forçou uma atenção redobrada ao fluxo de caixa, liquidez, qualidade das carteiras de empréstimos e capacidade de adaptação a imprevistos. Trofimovas admite que, em um período de bonança econômica, a empresa poderia ter seguido um caminho diferente, talvez influenciada por sua experiência anterior no setor imobiliário, que prosperou até a crise. A cultura e as prioridades de uma empresa são inevitavelmente influenciadas pelas circunstâncias de seu nascimento. Uma das lições mais valiosas foi que a disciplina, embora crucial em crises, deve ser uma prática constante, mesmo nos bons tempos.
Expansão Global e Controle Operacional
Com operações em mais de 22 países, o Aventus Group enfrenta o desafio de compreender as particularidades de cada mercado e, ao mesmo tempo, garantir que o crescimento rápido não comprometa o controle sobre o negócio. Trofimovas não separa esses desafios, pois os considera intrinsecamente ligados. Um crescimento internacional sustentável exige adaptação, mas sem um quadro comum, o negócio pode se fragmentar. Cada país apresenta seu próprio ambiente regulatório, comportamento do consumidor e condições econômicas, exigindo ajustes em produtos e serviços financeiros. A estratégia do Aventus Group combina supervisão centralizada com o conhecimento de equipes locais, utilizando tecnologia e dados para avaliar resultados e identificar riscos. A diversificação geográfica é uma força, mas só gera valor quando acompanhada de gestão eficaz. O objetivo não é a presença em mais países, mas sim a construção de negócios sólidos e sustentáveis em cada um deles.
O Risco do Sucesso e a Concessão Responsável de Crédito
Resultados sólidos e consistentes ao longo de muitos anos podem levar a uma "falsa sensação de segurança", um dos perigos mais significativos para líderes empresariais, segundo Trofimovas. A tentação de acreditar que as decisões passadas continuarão funcionando no futuro é grande. Para mitigar isso, o Aventus Group mantém a disciplina financeira e os mesmos padrões de avaliação, independentemente do desempenho financeiro. Novas oportunidades são cuidadosamente avaliadas sob cenários menos favoráveis. No primeiro semestre de 2026, o grupo registrou um lucro líquido de 49,1 milhões de euros, com fundos próprios atingindo 264,2 milhões. Trofimovas acredita que o sucesso financeiro deve aumentar o senso de responsabilidade, e a ambição deve ser sempre respaldada por dados, bom senso e clareza sobre os riscos. A concessão responsável de empréstimos, um pilar do negócio, equilibra o acesso ao crédito com a avaliação fundamentada da capacidade de pagamento do cliente. Expandir o acesso ao crédito não significa aprovar todas as solicitações; um empréstimo que o cliente não pode pagar gera dificuldades para ambos e risco para o negócio. Acreditam que a concessão responsável de crédito e a rentabilidade não são objetivos conflitantes, mas sim interdependentes, com a maioria dos empréstimos concedidos a clientes recorrentes atestando a solidez do modelo.
Inovação e Diversificação
Além dos prêmios recebidos, Trofimovas destaca que o modelo de uma fintech como o Aventus Group é frequentemente mal compreendido. Não se trata apenas de tecnologia, mas de uma combinação de expertise em gestão de risco de crédito, análise de dados, conformidade regulatória, comportamento do cliente, gestão financeira e conhecimento de mercados locais. Essa sinergia, aliada a uma abordagem de gestão financeira de longo prazo, diferencia o grupo. A diversificação para o setor imobiliário, com investimentos em Marbella, é vista como uma área complementar que aplica a mesma disciplina financeira e perspectiva de longo prazo a novas oportunidades. A expansão futura para mercados como Brasil e Zâmbia será avaliada rigorosamente com base na clareza regulatória, rentabilidade ajustada ao risco e capacidade de operar de forma sustentável. A decisão de não entrar em um mercado, por mais atraente que pareça, pode ser a mais prudente se os riscos superarem os potenciais benefícios.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España




