Entre maio e setembro de 2026, o Serviço de Limpeza do Litoral, sob a coordenação da PortsIB, empreendeu uma missão de grande escala nas costas do arquipélago das Baleares: retirar 342 toneladas de resíduos do mar e das praias da região. Foram cinco meses de trabalho intenso, com um dispositivo de 23 embarcações — 15 especializadas em praias e oito em águas costeiras — dedicadas a preservar a saúde ambiental e a segurança náutica local.

A campanha, detalhada pela Conselleria del Mar i Cicle de l'Aigua, tinha objetivos múltiplos: garantir a qualidade das águas, proteger as zonas de banho e remover elementos potencialmente perigosos à navegação. A ilha de Mallorca liderou a recolha em volume absoluto, seguida por Eivissa, Menorca e Formentera. A distinção entre embarcações de praia e de litoral revelou a natureza dispersa do problema, com resíduos recolhidos tanto em zonas rasas quanto em águas mais profundas.

O Rastro do Plástico e da Madeira

Ao descer ao detalhe, o relatório aponta para os materiais predominantes: plástico e madeira. Juntos, esses dois tipos de resíduos responderam pela maior parte do total recolhido. O plástico, onipresente e persistente, representa um desafio global, e as Baleares não são exceção. A madeira, por sua vez, pode advir de fontes naturais, mas também de embarcações danificadas ou detritos lançados ao mar. A presença de matéria orgânica e, em menor escala, de óleos e hidrocarbonetos sublinha a complexidade da poluição marinha, onde diferentes tipos de contaminantes interagem e ameaçam o ecossistema.

As operações foram impulsionadas por 39 avisos recebidos e atendidos. A maioria, 25, provinha de canais de emergência como o 112 e o Salvamento Marítimo, indicando a urgência e o perigo associados a alguns desses resíduos. Apoio em afundamentos, remoção de troncos que ameaçavam embarcações e a recolha de animais mortos compunham parte dessas intervenções. Os 14 avisos restantes, de instituições e particulares, alertavam para derrames de combustível, acumulações de plástico ou situações de risco a pessoas.

Para Além da Recolha: Apoio e Ciência

A atuação do Serviço de Limpeza do Litoral transcende a mera retirada de lixo. A assistência a embarcações à deriva, a remoção de objetos volumosos como boias e fragmentos de barcos demonstram a amplitude e a imprevisibilidade das tarefas. Em Menorca, a retirada de um tubo de 40 metros e a intervenção em concentrações de plásticos ilustram a escala de alguns dos desafios enfrentados.

Paralelamente, o serviço fortaleceu sua colaboração com instituições científicas de renome, como o CSIC, o Socib e o Instituto Oceanográfico. Essa parceria é crucial: a recolha de dados e o apoio à amostragem e ao monitoramento de medusas e microplásticos fornecem informações valiosas para a compreensão e o combate à poluição marinha a longo prazo. É um elo fundamental entre a ação prática e a pesquisa científica, essencial para a formulação de políticas mais eficazes.

Um Mar de Perguntas

A recolha de 342 toneladas é um feito notável, mas também um lembrete da escala do problema da poluição marinha. A predominância de plástico e madeira levanta questões sobre as fontes dessa poluição e a eficácia das medidas de prevenção. A colaboração científica, embora vital, depende de continuidade e investimento para gerar resultados transformadores.

Enquanto as embarcações recolhem os vestígios da atividade humana, a pergunta que permanece é: como reverter essa maré? A resposta reside em uma combinação de ações — desde a redução do consumo de plástico e a melhoria da gestão de resíduos em terra, até a conscientização contínua e a inovação em tecnologias de limpeza e reciclagem. O futuro das águas das Baleares, e de todos os oceanos, depende da capacidade coletiva de agir de forma decisiva.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España