A Conselleria de Agricultura, Pesca e Meio Natural das Ilhas Baleares oficializou um novo protocolo para classificar o risco sanitário de explorações ganadeiras com base no consumo de antibióticos. A medida, que atende a exigências da legislação espanhola e da União Europeia, estabelece um sistema de monitoramento trimestral destinado a identificar práticas de uso excessivo ou inadequado dessas substâncias no campo.
Segundo reportagem da Forbes España, o procedimento utiliza dados do sistema Presvet para categorizar as propriedades. Enquanto a maioria das fazendas é classificada como de risco médio, aquelas com acompanhamento veterinário constante ou dedicadas à apicultura e aquicultura são consideradas de baixo risco, dada a supervisão técnica contínua sobre os tratamentos aplicados.
Critérios de risco e monitoramento
A classificação das explorações não é estática e depende da recorrência no uso de antimicrobianos. Dados referentes ao quarto trimestre de 2025 indicam que apenas 13 das propriedades monitoradas no arquipélago foram enquadradas nos níveis alto ou muito alto de risco. A maioria dessas ocorrências está concentrada no setor equino, embora casos isolados também tenham sido registrados em bovinos, suínos e aves.
O governo regional enfatiza que um consumo elevado em um período específico não implica necessariamente má conduta. Eventos sanitários pontuais, como surtos de doenças que exigem intervenção clínica, podem elevar temporariamente os índices de uma fazenda. O foco da fiscalização recai sobre a reincidência, que sinaliza possíveis falhas estruturais ou manejo inadequado que contribuem para a resistência bacteriana.
O pilar da saúde pública
A resistência aos antibióticos é reconhecida globalmente como uma das ameaças mais críticas à saúde pública. O uso excessivo na pecuária acelera a seleção de bactérias resistentes, reduzindo a eficácia de tratamentos essenciais tanto para animais quanto para seres humanos. O projeto balear está inserido no conceito 'One Health' (Uma só saúde), que integra a saúde ambiental, animal e humana em uma estratégia única de vigilância.
Para os produtores, a ferramenta Presvet oferece um espelho de sua performance comparada à média do setor, incentivando a autorregulação. O setor ganadero das Baleares tem demonstrado adesão ao sistema, fornecendo dados que permitem uma gestão mais precisa e transparente, essencial para a manutenção da confiança do consumidor no mercado europeu.
Implicações para o setor e o ecossistema
As implicações dessa regulação são amplas, exigindo que os titulares das explorações ganadeiras assumam maior responsabilidade técnica. A comunicação individualizada para propriedades de alto risco serve como um alerta preventivo, forçando uma revisão dos protocolos de biosseguridade. Para competidores e reguladores, o modelo balear serve como um teste de viabilidade para o controle rigoroso em larga escala.
Em um cenário de crescente demanda por produtos de origem animal com rastreabilidade garantida, a pressão por transparência no uso de insumos químicos tende a aumentar. A experiência espanhola sugere que a digitalização do controle sanitário é o caminho inevitável para evitar sanções comerciais e garantir a sustentabilidade econômica das fazendas a longo prazo.
Perspectivas de vigilância contínua
O que permanece como desafio é a capacidade de manter o rigor técnico sem inviabilizar economicamente as pequenas explorações. A eficácia do modelo dependerá da qualidade do suporte oferecido aos produtores para que a transição para práticas mais prudentes não se transforme em um ônus proibitivo.
Acompanhar a evolução desses índices nos próximos trimestres será fundamental para medir se o sistema realmente reduz a circulação de bactérias resistentes. A transparência no uso de dados e a colaboração entre veterinários e autoridades sanitárias continuarão sendo os motores dessa transição sanitária.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





