O Banco Mundial revisou para baixo, nesta quinta-feira (11), sua projeção de crescimento para a economia global em 2026, fixando-a em 2,5%. A instituição alertou que o cenário pode ser ainda mais severo, com a expansão podendo cair para apenas 1,3% caso as interrupções no fornecimento de energia se intensifiquem e contaminem os mercados financeiros internacionais.

O relatório semestral “Perspectivas Econômicas Globais” aponta que, após um crescimento de 2,9% em 2025, a economia mundial enfrenta agora seu patamar mais baixo desde o início da pandemia. Segundo o Banco Mundial, dois terços dos países sofreram cortes em suas estimativas, com o impacto concentrado em nações exportadoras de energia no Oriente Médio, severamente afetadas pelo conflito em curso.

O impacto da crise energética

A deterioração das perspectivas econômicas está diretamente ligada ao fechamento do Estreito de Ormuz, que provocou uma escalada nos preços do petróleo e dos fertilizantes. O banco estabeleceu como cenário básico um preço médio do barril de Brent em US$ 94, representando um aumento de 36% em relação a 2025. A pressão inflacionária resultante força muitos bancos centrais a manterem políticas monetárias restritivas, limitando a capacidade de reação das economias.

O risco sistêmico, contudo, reside na correlação entre choques energéticos e instabilidade financeira. Ayhan Kose, vice-economista-chefe do Banco Mundial, destacou que a interação entre preços elevados de energia e a volatilidade nos mercados pode erodir rapidamente a confiança global. Se o preço do petróleo atingir uma média de US$ 115, a inflação global pode subir para 4,4%, comprometendo ainda mais a estabilidade econômica.

Fragilidade estrutural e a década perdida

A análise do economista-chefe Indermit Gill sugere que a economia mundial perdeu resiliência em comparação com 2008 ou 2018. Fatores como o envelhecimento populacional, a queda no investimento público e privado, além do aumento da dívida global, criam um ambiente de crescimento estruturalmente mais lento. Para muitas nações em desenvolvimento, excluindo China e Índia, o cenário aponta para uma “década perdida” na convergência de renda per capita com as economias avançadas.

As economias em desenvolvimento, em particular, enfrentam agora uma projeção de crescimento de 3,6% para este ano, o nível mais baixo registrado desde a crise sanitária. O impacto regional é desigual, com o Oriente Médio, Norte da África e partes da Ásia enfrentando revisões drásticas de até 2,7 pontos percentuais para baixo, evidenciando a vulnerabilidade extrema dessas regiões à instabilidade geopolítica.

Desdobramentos para as principais economias

As grandes potências não escapam da tendência de desaceleração. A economia dos Estados Unidos mantém uma previsão de 2,2% para 2026, mas com trajetórias decrescentes para os anos seguintes. A zona do euro enfrenta um cenário ainda mais modesto, projetando um crescimento de 0,8%, enquanto a China deve observar uma desaceleração para 4,2% em 2026, refletindo a complexidade de manter o dinamismo em um ambiente global marcado por juros elevados e incerteza política.

O futuro próximo permanece condicionado à duração das tensões no Oriente Médio e à capacidade das cadeias de suprimento de energia em se estabilizarem. A incerteza sobre a política monetária e a inflação persistente continuam a ser as variáveis determinantes para qualquer recuperação mais robusta projetada para 2027 e 2028.

Incertezas no horizonte econômico

O que permanece em aberto é a capacidade de resiliência dos mercados financeiros diante de choques prolongados. A ausência de margem de manobra fiscal em muitos países em desenvolvimento sugere que as próximas rodadas de revisão do Banco Mundial poderão ser pautadas pela capacidade de resposta a crises, e não apenas pelo crescimento orgânico. Monitorar a volatilidade dos preços de commodities será essencial para entender o próximo ciclo econômico.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times